sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Shuriken Sentai Ninninger - Primeiras impressões

Mesmo antes de estrear, no último dia 22, a missão de Ninninger parecia ser das mais fáceis. Bastava aparentar ser melhor do que o decepcionante Tokkyuger_ indiscutivelmente, o Super Sentai mais irregular desta década até aqui. Ainda que continue valendo aquela velha máxima dos tokusatsus darem o melhor de si principalmente nas estreias, pelo menos um outro fator me convenceu a deixar estas minhas novas impressões iniciais por aqui. Justamente quando eu sentia que não iria mais me impressionar fácil com tecnologias de efeitos especiais, Ninninger conseguiu essa proeza. Surpresa igual eu só tive em 2012, com a estreia do audacioso Gobusters. E se a história de Tokkyuger foi lenta, arrastada por indecisões e com várias boas ideias de continuidade constantemente descartadas, a história de Ninninger já demonstra uma certa complexidade_ infelizmente, muito mal valorizada pela maioria das mídias de toku colegas, já que pouquíssimas se dispuseram a divulgá-la até a data de hoje.
Boa parte do primeiro episódio relembra aspectos narrativos do passado, chegando mesmo ao ponto de usar ilustrações em certo momento_ uma ideia em desuso e raríssima de ser vista nos tokus desta época, mas que era muito recorrente nos dos anos 80 (vide minha matéria "Ilustrações em Tokusatsus"). Segundo se conta, um poderoso general da Era Sengoku chamado Kibaoni armou uma guerra e foi derrotado pelo Clã dos Igasaki. Após isso, Kibaoni se tornou um demônio Yokai, retornou após o que se acreditava serem 444 anos e foi novamente derrotado por Yoshitaka Igasaki_ também conhecido como o Último Ninja. Yoshitaka selou esse demônio com 48 shurikens. Até que, por um suposto erro de cálculo, chegamos aos tempos modernos, onde uma misteriosa figura ainda não revelada pela trama (possivelmente um servo de Kibaoni) quebra o selo com um encantamento. Uma vez livre, o vilão usa um dos shurikens que o prendia para dar vida a um objeto qualquer como novos Yokais, que irão compor seu exército. E aqui surge o primeiro grande ponto de interesse dessa história, deixando em nós a expectativa de conferir, nos episódios futuros, se esse mesmo padrão de concepção dos Yokais será ou não mantido até que se completem os 48 shurikens que compunham o selo de Kibaoni.
Para recuperá-los, cinco jovens descendentes do Clã de Igasaki lutarão como ninjas da era moderna. Dois deles_ os irmãos Takaharu/AkaNinger e Fuuka/ShiroNinger_ são descendentes diretos, numa relação que nos lembra vagamente a de Ryo/Ryuranger e Rin/Hououranger como os únicos Dairanger que carregavam o sangue da Tribo Dai em suas veias (na série de 1993). Os demais membros da formação inicial do esquadrão_ Yakumo/AoNinger, Nagi/KiNinger e Kasumi/MomoNinger_ estrearam, como de costume, à sombra de seu líder.
Os primeiros minutos de AkaNinger foram quase uma cópia fiel do que Shinkenger apresentou em 2009. Com uma diferença crucial: ao invés do discurso de Hikoma Kusakabe aos soldados Nanashi Renju_ apresentando-os o Shinken Red de uma forma tão inflamada que chegava a soar até como artificial_, desta vez foi o próprio Takaharu quem se declarou, curto, grosso e direto, como um "herdeiro de Yoshitaka Igasaki e portador da sua vontade".
A ação que se seguiu, substituindo o espaço destinado à sequência oficial de abertura (noutra coincidência com Shinkenger) foi exatamente o que eu chamo de usar as conquistas atuais em efeitos especiais com consciência e moderação. Algo que, infelizmente, vem se repetindo com muito pouca frequência nas produções que a Toei fez nos últimos dois anos_ com Tokkyuger sendo um nítido exemplo disso, enquanto abusava de CGI's na criação de cenários ficcionais ou caracterizava elementos de animação em inúmeras cenas daquele seriado. Desta vez, a aterrissagem ultra rápida feita pelo AkaNinger, após varrer seus primeiros rivais, encaixou-se tão bem com as atuais tecnologias de edição que chegou a me provocar emoção e até mesmo orgulho de ser tokufã. Nota-se, porém, que tais tecnologias nem foram muito necessárias para outro grande momento daquela luta_ quando o AkaNinger atira um de seus Shurikens na direção do espectador e então, num instante, é trabalhado graficamente para gerar o logotipo da série.

Em busca de uma referência
Ainda é cedo para sabermos se Shinkenger será realmente a referência principal para Ninninger. Mas é verdade que as recordações em torno do Samurai Sentai foram muito além dos minutos de estreia de cada um. Na luta do robô Shurikenjin, por exemplo, vemos as katanas Ninja Ichibantou serem encaixadas num compartimento próprio do mecha, num gesto aproximado ao que as espadas Shinkenmaru recebiam quando os Shinkenger levavam-nas para o interior dos seus Origamis ou do Shinken Oh. Já quando as Ichibantou estão devidamente carregadas com os NinShurikens de cada membro, estes ainda relembram os Hiden Discs dos samurais, que energizavam as Shinkenmaru e outras armas deles com Mojikara após um movimento giratório_ o mesmo movimento, portanto, que vemos agora.
Ao lado disso, uma das etapas do trabalho visual que foi dispensado à primeira transformação do novo esquadrão_ especificamente, na cena em que os cinco membros se posicionam numa espécie de base circular_ também me fez lembrar dos Shinkenger, pois, como os fãs bem sabem, era justamente assim que eles apareciam nas saudosas passagens de intervalo daquela série.
Ainda falando na transformação dos Ninninger, achei uma pena, mas o processo como elas ocorrem me decepcionou bem mais do que o do antecessor Tokkyuger. Como eu havia comentado nas primeiras impressões que fiz daquele Sentai, a minha desilusão se concentrava diante do "peso visual" de seus braceletes_ peso esse agora mais intensificado, numa coreografia que envolve não só os NinShurikens, mas até as Ninja Ichibantou. Até por isso, a sequência em que Fuuka se atrapalha e percebe que esquecera sua katana foi, para mim, a pior desta estreia. Pior do que quando ela, mais à frente, escorrega numa casca de banana_ já deixando bem evidente qual será a personagem "responsável" pelos principais spots cômicos do seriado.
Nem mesmo Tsumuiji_ pai de Takaharu e de Fuuka e filho de Yoshitaka_ conseguiu salvar aquela cena. Prestativo, foi ele quem prontamente entregou aos novos ninjas seus instrumentos de trabalho_ num gesto que, se não chega a ser tão emotivo, pelo menos coloca-o à frente na ainda indefinida vaga ao tradicional posto de comandante do Shuriken Sentai.
Caso realmente se consolide como mentor da equipe, Tsumuji chamará a atenção para outro item bem interessante do mote de Ninninger: a influência de uma família que percorreu três gerações. Nesse ponto, eu torço para que nenhum outro tokufã tenha chegado ao mesmo pensamento errôneo que eu cheguei inicialmente. Por pura desinformação (outra vez ela como problema), cheguei a supor que as duas gerações anteriores faziam menção aos outros dois Super Sentais de temática ninja já conhecidos do gênero_ Kakuranger (1994) e Hurricanger (2002). Como há de se deixar bem esclarecido agora, tal coisa nada tem a ver, portanto.

A prodigiosa mobilidade ninja
Quando atentamos para a empolgante luta dos mechas contra um Yokai Kamaitachi agigantado, as comparações de Ninninger com aqueles Sentais parecem ainda mais inviáveis. Só mesmo o Shinobimaru_ OtomoNin parceiro do AkaNinger_, com sua mobilidade mais privilegiada, consegue nos fazer lembrar dos Juushou Fighters de Kakuranger, ou do SenPuuJin dos Hurricanger na Hurrier Mode. Recordações a parte, esse bloco da estreia de Ninninger deixa muito evidente como existem grandes ambições de se inovar sobre a ação dos mechas a partir desta ano. Após formado, o Shurikenjin exibiu certos detalhes impressionantes, como o mecanismo (real) que há no peito do robô, e que dá movimento autônomo ao espaço em que se "assenta" o Shinobimaru.
Tanto quanto mechas, as armas são outra importante fonte de lucros para as empresas que produzem os afamados brinquedos derivados de cada série toku. Certamente por isso, as Karakuri Hengen se destacaram nas mãos dos guerreiros, e chegaram a ser usadas em formas variadas como arco, katana e garra. Para que continuem sendo objeto de admiração, porém, espera-se pelo menos que essas armas sigam uma certa padronização em suas utilidades_ e não que apenas exibam surpresas descartáveis, como Tokkyuger fez de um jeito bem desagradável a partir de seu primeiro episódio.
E para depositarmos nossas esperanças positivas no futuro de Ninninger, nada como terminar esta matéria de uma forma bem otimista, citando uma frase do promissor Takaharu naquela que foi, sem dúvida, a fala mais feliz desta estreia. Questionado pelo companheiro Nagi se não estava se sentindo temeroso_ diante da ameaça do Yokai Kamaitachi_, Takaharu respondeu, determinado: "Ainda não. Mas eu irei lutar antes que fique com medo". Palavras de um shinobi que não se oculta.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Explicando Kamen Rider Decade: uma nova visão otimista


Já faz um bom tempo desde quando publiquei meu review sobre Kamen Rider Decade por aqui. Para retomar o assunto, eu escolhi um tema no qual não pude me aprofundar naquela ocasião (em virtude da estrutura de review que a postagem exigia). Por isso, minha intenção para hoje será explorar certos pontos da série que muitos tokufãs veem como defeituosos e, na medida do que permitir minha mera opinião pessoal, buscar explicá-los e solucioná-los diante de uma visão mais otimista.
Fundamental para isso foi o apoio que recebi do meu amigo e parceiro João Gabri-El (do blog Interruptor Nerd). Além de me encorajar a dar corpo para este post, João ainda me serviu como um importante guia na hora de apontar várias partes de Decade que desagradam tokufãs assim como ele_ que declaram abertamente suas decepções em relação ao Destruidor. Com certeza, em nenhum outro momento senti que uma opinião tão oposta à minha fosse também de tamanho valor para mim como esta do João. Sem ela, os pontos de vista por mim expostos logo abaixo jamais seriam realidade_ nem estariam, a partir de agora, à disposição de quem se interessar.

A flexibilidade por trás dos Mundos Paralelos
Comecemos pelo conceito principal que move a trama do Decade: o dos Mundos Paralelos. A confusão é garantida quando eles entram no centro do debate. Provavelmente porque muitos tokufãs confundem a recriação (baseada) a que eles se sujeitam com o cenário (original) que aqueles mundos já exibiram no passado_ ou seja, nas séries de origem deles.
Segue uma réplica resumida de um comentário recente que fiz no Facebook, num tópico cujo autor expunha justamente sua incompreensão para com os Mundos de Decade:

"(A série do) Decade se propõe a recriar o universo dos Heisei Pré-Decade, e não retornar ao cenário original de suas séries. Ao mesmo tempo que faz isso, ele (o seriado) estimula a flexibilidade daqueles mundos (...)".

Dentro daquele mesmo tópico, alguns outros comentaristas se indignavam com o fato do Kamen Rider Kiva ser "uma criança" em seu respectivo Mundo Paralelo, ou do Hibiki ser "um monstro" no equivalente dele. Esses são apenas dois exemplos das diferenças que existem em relação às séries originais que, por sua vez, garantem a "flexibilidade" que eu citei no meu comentário. Não se trata de um retorno a um cenário já conhecido, pois a própria palavra "paralelo" remete ao que é alternativo. Sendo totalmente igual, a opção pelo alternativo desapareceria instantaneamente.

O verdadeiro significado da frase de Wataru Kurenai
Os Mundos Paralelos de Decade foram criados para deixar claro que os Riders existentes neles também são paralelos_ ou, melhor dizendo, alternativos_ aos originais. Mais do que Riders de mentira, eles evidenciavam que a essência deles enquanto guerreiros era, aqui, muito mais importante que o ego (ou o tipo de pessoa) por trás deles. Para o protagonista Kadoya Tsukasa (Decade), havia uma missão a ser cumprida: destruir cada um daqueles Riders Alternativos, na busca por um único mundo estável. Nas palavras repetidas de Wataru Kurenai (o Kiva original, mensageiro da missão de Tsukasa), "da destruição" se faria "a criação".
Muitos procuram interpretar essas palavras da maneira mais simples. Para essas pessoas, caberia à Tsukasa "destruir Riders de mentirinha (os Alternativos) para que os originais recuperassem o espaço deles". A realidade, porém, não é tão simples assim. Pois se fosse, como explicar, por exemplo, os Riders Zanki e Ibuki "originais" coexistindo com um Hibiki (ou seriam dois?) Alternativo no Mundo de Hibiki?
Partindo daí, posso recapitular aquilo que vejo como o verdadeiro sentido da frase de Wataru para Tsukasa. "Da destruição se fará a criação" significa que somente através daquele processo de destruição do corpo físico de cada Kamen Rider eles passariam a ser mais do que meros guerreiros. Pois, automaticamente, a essência de cada um deles se tornaria imortal, criando assim Riders que transcendem seus egos. A originalidade seria só um detalhe, já que a maior prova dessa verdade foi a destruição do próprio Decade (original) pela Kamen Rider Kivara, no movie crossover com o Kamen Rider W. Se não se entregasse à mesma derrota que impôs aos outros, o ego de Decade estaria até hoje superando sua essência_ o que, aí sim, não seria nada correto, do ponto de vista lógico. Mais além, foi justamente através dessa ideia (a da essência que supera o ego) que o problema da falta dos atores originais no seriado pôde ser superada com êxito.

Trama aberta e arte abstrata
Outro problema que paira pelas mentes de muitos tokufãs como algo "sem resposta" em Decade diz respeito ao desenvolvimento da trama. Dessa parte, muitos cobram um "final digno" e se esquecem que o mais importante aqui é o andamento. Hoje, eu penso categoricamente que Kamen Rider Decade não é uma série fechada em si mesma. O movie crossover com o Kamen Rider W pode até "aliviar a barra" de quem não admite ficar sem uma conclusão específica. Porém, quem optar por absorver aquilo como um final definitivo estará apenas se privando de interagir com uma conquista até hoje jamais igualada por outros tokusatsus: a das maravilhas de uma trama aberta, com seu destino imprevisível e indeterminado. 
Não creio que dê para exigir um final para algo que ainda está em andamento. Da mesma forma, não há como exigir explicações simplórias para determinados spots da série que são propositalmente abstratos, e que existem para estimular o espectador a dar um sentido para eles. Isso é algo que até poderíamos chamar de arte, como eu mesmo fiz num outro comentário recente_ este para o Interruptor Nerd, do João Gabri-El:

"'Falta de explicação' em Decade, para mim, é arte. (...) Nenhum outro toku faz isso. (O abstrato em Decade) é como uma pintura abstrata: parece que apenas jogaram um balde de tinta na tela, e já era. Mas, na realidade, o pintor fez (...) (vários) estudos para pintar aquilo_ definiu os limites dos contrastes, o impacto visual sobre as linhas e os contornos, etc. Tudo para estimular quem vê o quadro a dar um sentido para ele_ não é como ver uma pintura de uma montanha, e depois dizer "é uma montanha", com certeza daquilo".

Não há dúvidas que arte e tokus caminham mal quando juntos. Isso é uma certeza da qual temos ciência desde Hibiki_ outra série que eu adoro e que, por coincidência, é tão mal compreendida quanto Decade. Mas acho que deveríamos nos esforçar para, pelo menos, reconhecer que a estrutura de trama aberta e o flerte com a arte abstrata foram os dois grandes diferenciais de Decade, que encaminharam o seriado para um nível de evolução absolutamente imprevisível.
Em outros dois trechos do mesmo comentário, eu reitero sobre essa ideia:

"Precisamos pensar sério que toda evolução só se consolida após uma ruptura, que quanto mais ousada for, mais será compreendida como moderna. E Decade apresenta sim, uma grande ousadia (...), principalmente porque quebra esse conceito viciado do 'começo - meio - fim', talvez até consciente do período 'futurista' (2009) em que foi (...) feito".

Para mim, mais do que um seriado, Decade é um ciclo:

"A saga do Tsukasa começa no pesadelo da Natsumikan (heroína da série), ganha aquela etapa inicial (a mesma que explorei no conteúdo de meu review, publicado por aqui em 2013) e está, atualmente, compartilhando da sagas dos (Riders) sucessores dele (Decade, nos filmes e especiais em que apareceu posteriormente)".

Uma das possibilidades da trama aberta de Decade é, obviamente, vir a dar, no futuro, um sentido definitivo para passagens que hoje só podem ser resolvidas pela cabeça do espectador_ e aqui, cabe a cada fã em particular listar quais as passagens que achou "sem sentido" na série. Mas, pelo menos na minha imaginação, há também a possibilidade do futuro ofertar à história de Decade um novo começo. Para fazer jus à saga do Destruidor, esse eventual novo começo precisaria se comunicar com o começo que conhecemos hoje_ em torno do pesadelo da Natsumikan. Seria uma ousadia ainda mais remota, mas perfeitamente justificável para um mote que manipula livremente os espaços cabíveis ao meio e ao final.

O fator Diend
Rejeitar o seriado do Decade como um todo também significa, muito frequentemente, rejeitar a imagem de Tsukasa e do Destruidor que ele personifica. Daí até que essa mesma rejeição alcance Kaito Daiki_ o Diend, Rider secundário da série_, o caminho é muito pequeno. Na visão de parte dos críticos de Diend, seu maior defeito é lutar por si próprio, como um caçador de tesouros. Dessa justificativa (que, dentre todas que já vi, me parece a mais grave), só fica faltando o reconhecimento do crítico àquilo que, possivelmente, ele mesmo procede em seu dia a dia. Afinal, nossa "luta" diária (trabalho, estudo e similares) não se resume apenas à dedicação integral ao próximo. Na imensa maioria das vezes, a "vitória" que almejamos corresponde a trazer benefícios para nós mesmos_ quase nunca para fins de caridade. Ou seja, todos nós, considerados "batalhadores", estamos em busca de nossos tesouros pessoais. Até por isso, não seria nenhum exagero afirmar que Diend é tão fascinante que chega ao ponto de refletir nossa realidade.
Com uma pitada de má vontade, eu diria até que falta senso de ridículo aos críticos da luta do Diend_ uma massa suficientemente influente para fazer dele um injustiçado. É muito provável que esses mesmos críticos sejam amantes inveterados das personalidades irrepreensíveis de alter-egos opostos ao de Kaito Daiki, como Issamu Minami e Kouta Kazuraba. Mas devo reconhecer que eles acertam quando se recusam, terminantemente, a anexar um rótulo de “herói” em Diend_ que foi concebido para ser, desde sempre, um anti-herói, aquele que se dispõe a enfrentar bem e mal sob igualdade de condições, cuja sentença é sempre unipessoal e focada no melhor saldo possível.
Contraditório a isso é o fato de vários heróis (assim formalizados) do passado também dispensarem o politicamente correto. Nisso, dá para incluir até um passado bem distante_ como o que abrange os primórdios do gênero Kamen Rider. Hayato Ichimonji (o Kamen Rider Nigo, de 1971/72) estava sempre cercado de mulheres e, concentrado na luta contra a Shocker, não fazia nenhum esforço para desvincular de si a imagem “anti-heróica” de bon vivant_ bem retratada no flagra ao lado. Sucedendo-o, Shiro Kazami (o Kamen Rider V3, de 1973) não só opunha ao extremo o comportamento de Hayato (fingindo ignorar os sentimentos puros da heroína Junko Tama para com ele), como também exibia um visível apreço especial às vítimas da Destron que carregassem um drama parecido com o seu (a perda de parentes próximos). Diante de vítimas assim, Shiro se emocionava, até chegar ao cúmulo de admitir, abertamente, que lutava movido por desejo de vingança.

Os méritos da ação e a prática voluntária de humildade
Ainda em defesa de Diend, vejo nele um exemplo ideal para destacar outro grande mérito do seriado do Decade: o núcleo da ação. Nessa parte, pelo menos, é inevitável para mim assumir aqui um tom mais pessoal. A prioridade que eu costumo dispensar à esse núcleo é algo que eu já havia explicitado neste mesmo blog, quando publiquei um debate centrado no dilema “ação versus trama”. Para mim, pessoalmente, tokusatsu é "ação + o resto". E o Diend Blast_ finalizador de Diend, que escolhi como meu favorito em tokus_ é, para mim, um modelo e tanto da ação diferenciada que Decade oferece. Soma-se à isso sua boa sonorização_ essencial para potencializar uma grande cena de luta. E para isso, que tal "Treasure Sniper", tema musical de Diend e, por coincidência, trilha que eu também reconheço como minha predileta entre as dos Heisei Riders_ rivalizando, levemente, apenas com a "Revolution" de Ryuki? Por fim, tentem imaginar agora minha emoção ao presenciar, simultaneamente, uma rajada do Diend Blast com "Treasure Sniper" tocando ao fundo... Difícil definir tudo isso com outra palavra que não "surreal". Ou então, inventar outro adjetivo elogioso, talvez inspirado pelo pouco que podemos ver no vídeo logo abaixo:
video
Mesmo tendo declarado para mim sua preferência irrestrita pelo fator "trama", João Gabri-El provou, em sua principal crítica à Decade, que também se manteve atento para com a ação do seriado. Através disso, ele destacou um ponto que eu, sinceramente, não me lembro de ter visto ser citado por nenhuma outra pessoa. Interpretando como um "desrespeito aos Riders originais", as Final Form Ride entram no rol de itens de Decade que revoltaram o João. Na visão dele, é deprimente que o corpo de um Kamen Rider se rebaixe a um mero instrumento na mão do Destruidor.
Não há dúvida que, à primeira vista, as Final Form Ride são chocantes. Eu mesmo precisei de um tempo para me acostumar com a ideia exótica que elas apresentam. No início, eu as via como um caso de passagem abstrata_ daquele tipo que, como eu já disse aqui, só a cabeça do espectador para ser capaz de dar um sentido. Pois bastou a minha cabeça começar a trabalhar nisso para que eu passasse a ver nas Final Form Ride não só um novo catalisador da ação, mas também uma mensagem embutida profunda e tocante.
Uma vez que a essência dos Riders está em jogo (descaracterizando o ego), fica ainda mais lógica a ideia (cruel) de que cada guerreiro é uma máquina de guerra. Para poder dar tudo de si numa batalha, ser desprovido de qualquer traço de humanidade seria outro fator primordial dessa ideia. Por isso, todo aquele processo de "rebaixamento" dos Riders é, na minha cabeça, uma prática quase voluntária de humildade. Confirmando este meu raciocínio, pela série dá até para perceber um certo sofrimento sugerido por cada Kamen Rider até que o mesmo atinja aquele estado_ seja de arma, veículo, ou de mero acessório. O que não dá para não se notar como evidente é a entrega que cada um faz_ endossando o clássico motivo do herói que se esgota, mergulha no risco, sentindo-se indiferente até diante do temor de estar investindo contra o mal pela última vez.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A força da nova geração tokufã - Uma entrevista com Vinicius Ramos

Nada como uma bela parceria para começarmos mais um ano de postagens neste nosso blog. Quebrando o maior intervalo que já tivemos por aqui nos últimos tempos, entre uma publicação e outra, essa parceria ainda retoma nosso quadro de entrevistas. Desta vez, eu conversei com ninguém menos que o Vinicius Ramos_ membro bastante conhecido e querido na comunidade tokufã. Atualmente fazendo parte da equipe do Blog Toku Force, Vinicius também teve uma brilhante passagem pelo site Tokusatsu Brasil_ mídia em que eu mesmo cheguei a colaborar, e onde trabalhamos juntos por alguns meses, no início de 2014.
Não deixa de ser uma curiosidade a forma como escolhi Vinicius para dar sequência a esta seção. Forma meses de dúvida, diante da grande quantidade de colegas que conheço, e que certamente teriam muita coisa interessante para dizer. Mas, levando em consideração a continuidade que a seção necessitava, em determinado momento me pareceu bem evidente a vantagem do Vinicius sobre os demais. E o fato dele pertencer a uma geração de fãs posterior à da maioria de nós pesou muito nisso.
Já entrou para o fabulário tokufã o dia em que eu, num misto de satisfação, convicção e alívio pela minha decisão imediata procurei Vinicius em particular e o confidenciei: "O próximo precisa ser você. Conto contigo para isso". Felizmente, nosso amigo correspondeu não apenas a mim, mas à todos que agora poderão usufruir de novas revelações deste que é um dos fãs de tokusatsu mais importantes da atualidade_ seja por sua atividade cada vez mais intensa, seja por sua projeção cada vez mais definida.
Logo após a recente entrevista que Vinicius cedeu aos parceiros do Toku Force, poucos de nós aguardariam pela joia que segue, repercutida em suas palavras. Em diversos momentos, suas falas parecem apontar o futuro do tokusatsu como hobby no Brasil. Algo que ultrapassa as tradicionais rivalidades que existem atualmente, sugerindo até uma extinção dos poucos males que ainda sobrevivem no nosso meio. E como veremos ainda por todo o restante do material, a participação que Vinicius nos concede aqui, mais do que oportuna, abre espaço também para que outros possíveis entrevistados do blog, que ainda virão, levem isto como uma grande referência.
Para mim, como entrevistador, o momento mais empolgante da entrevista presente (superando o sacrifício que foi escolher apenas um, para exemplificar aqui) é quando Vinicius nos revela que já refletiu muito sobre a Geração Manchete_ a mesma a que vários de nós pertence_, tentando imaginar "como seria aquela época, com tanto conteúdo ótimo na televisão brasileira" aberta. Só com uma frase dessas, eu, como testemunha que fui daquele tempo, não apenas me recordei como passei a valorizar, ainda mais substancialmente, aqueles momentos mágicos em que havia apenas a televisão como veículo para nos levar até os tokus. Momentos aqueles que sempre acompanhavam um êxtase radiante de criança, e muitas vezes também a surpresa pelo que, para nós, era o "novo".
Mesmo privado dessas emoções, por sua pouca idade, Vinicius nos revela aqui que seu próprio caminho de tokufã possui todo o potencial necessário para garantir a ele emoções que, se não são idênticas as que citei, só podem ser ainda maiores. E manda até um singular recado para todos os administradores de mídias tokusatsu dos dias de hoje, deixando bem clara nossa responsabilidade em trabalhar para todos_ e não apenas para nós mesmos, seja em qual for o espaço.

1- Certa vez, quando a gente conversou pessoalmente, você me disse ser um grande fã de games com temática de tokus. Agora, para começarmos a entrevista bem leve, qual foi o game mais marcante de toku que você teve a oportunidade de jogar até hoje?
Então, o jogo de tokusatsu mais marcante que joguei foram na realidade três: "Kamen Rider Seigi No Keifu" (para Playstation 2), "Kaizoku Sentai Gokaiger - Atsumete Henshin 35 Sentais" (para Nintendo DS) e o "Uchuu Keiji Tamashi" (também para Playstation 2). São ótimos jogos, além de serem bem divertidos. Eles têm um estilo único, que leva crianças e adultos a gostarem facilmente deles. Mas, desses três, o que me chama mais a atenção é o jogo "Kamen Rider Seigi No Keifu", porque o estilo desse jogo se baseia bastante no "Resident Evil" (um clássico). É um jogo onde você controla Kamen Rider Ichigo, Kamen Rider V3, Kamen Rider Black e Kamen Rider Agito. Mas o legal mesmo é que, quando você joga com um desses Riders, você vai modificando o futuro de cada personagem. Por exemplo: se eu jogo com o Agito, isso eventualmente afetará a história dos demais protagonistas_ assim é o jogo. Para quem tem PS2, jogue esse jogo, que é ótimo.

2- Existe algum outro game desse tema que você ainda não jogou, mas vê como seu sonho de consumo? Conte-nos um pouco sobre esse game.
Sim, existe um jogo que não joguei, mas ele não é da franquia dos Kamen Riders, e sim da Kyodai Hero. Estou falando do "Robô Gigante". É um jogo de Playstation 2 que eu ainda não tive a oportunidade de jogar, pois nem na Internet consegui achar a ISO (para quem não sabe, ISO é o nome que se dá quando se extrai um jogo do DVD). O jogo é baseado no mangá.  Ressaltando um ponto importante deste jogo é que você não controla o Robô Gigante, e sim o garoto (se não me engano, o nome dele é Daisaku... não sei bem o nome dele, pois não assisti a série). Com os comandos "X", triângulo, quadrado e bolinha você vai dando golpes, e pode fazer também combinações de golpes. Também existem comandos para você falar com o Robô Gigante, como na série_ falar para ele desviar, atacar, etc. Tenho uma vontade imensa de jogar esse.
3- Outra grande paixão sua, que você também revelou para mim conversando: JAKQ Dengeki Tai, série Sentai de 1977. Quais são as qualidades desse seriado que mais te atraem?
Por incrível que pareça, o que mais me atrai em JAKQ são as lutas. Quando você assiste JAKQ, do começo até o meio da série_ ou até bem antes do meio_, as cenas de luta ainda não estão muito bem sincronizadas, e são cenas bem curtas, pois se priorizava mais a história e o drama. Mas depois disso, a série toma um ar totalmente diferente, ganha boas lutas_ tanto que há algumas que deixam você de boca aberta. Além do mais, as lutas contra os soldados rasos são muito mais empolgantes do que contra o monstro do episódio.
Outro ponto legal também de JAKQ é que os vilões da série não são tão bobos assim. Eles criam ótimas armadilhas contra os heróis, e você fica naquela torcida de que tudo vai dar certo, ainda que nem sempre seja assim. Na maioria das vezes os JAKQ se ferram, e isso é o que mais acontece nos capítulos finais da série.

4- Muitos fãs brasileiros de Super Sentais ainda não tiveram, até o dia de hoje, a oportunidade que você teve de assistir JAKQ até o fim. Eu, pessoalmente, só vi o episódio 01, e já achei bastante inovador, mesmo para os moldes de nossos dias: uma equipe de cyborgs, que também pode ser vista como o único esquadrão já composto por pessoas falecidas, na formação inicial. E o restante da série Vinicius, tem ainda mais surpresas do que tudo isso que eu citei agora?
Sim, tem mais surpresas. As surpresas acontecem no momento certo da série, dando aquele levantada no clima, pois JAKQ é uma série com um ritmo lento (como é na maioria dos tokus dos anos 70), que, como falei anteriormente, dá prioridade ao drama e a sua história. A série no geral é bem cansativa, mas sempre há surpresas nos episódios, que te dão condições de te deixar preso, assistindo a série até o final.
Não vou contar as surpresas, senão perde a graça, rs! Ainda tenho a esperança de ver algum Fansub legendar está série e, se fosse do meu alcance, eu iria me dispor a ajudar de alguma forma.

5- Falemos um pouco sobre nossos colegas. Quando você visita uma mídia de toku (seja blog, Fan Page ou outras), quais são suas expectativas, que tipo de coisa bacana você espera encontrar nelas?
Sempre tenho a expectativa de me atualizar neste universo, de aprender muitas coisas, seja a mídia uma Fan Page ou um blog, como você disse. Apesar de eu ter apenas 17 anos, na maioria dessas mídias sempre tento aprender a respeitar tanto os tokus clássicos como os atuais_ seja através de matérias, análises ou curiosidades. Isso me ajuda muito quando vou fazer uma matéria sobre alguma série, mesmo que o conteúdo seja pouco. E também sempre falo com o pessoal que vejo como mais experiente no assunto.

6- Depois de ter trabalhado um tempo no Tokusatsu Brasil, hoje você faz parte da equipe de um de meus blogs favoritos, o Blog Toku Force. O review sobre JAKQ que você fez por lá foi muito marcante para mim, enquanto leitor. Me impressionou muito essa matéria, não só pelo seu texto, mas também pela sua edição de imagens, que eu achei impecável, condizente com a leitura e muito bem estruturada. Agora a pergunta: para fazer aquela maravilha toda, você acha que sua experiência anterior no Tokusatsu Brasil contribuiu para que você atingisse aquele nível, ou você já foi chegando, só no improviso, esfregando as mãos com aquela vontade toda e dizendo "deixa comigo!"?
Para falar a verdade não, foi tudo improvisado mesmo. Tive força de vontade em fazer a coisa e deu no que deu, rs! A experiência que tive no Tokusatsu Brasil me ajudou bastante em um certo ponto_ que foi o da edição de imagens. Não sou mero profissional em editar imagens, mas aprendi a me virar.
Falando um pouco sobre o review de JAKQ em si, eu coloquei lá todo o meu conhecimento sobre a série. Tive a ideia de fazer aquela matéria através de uma que você fez sobre o Sharivan. Daí, como eu estava assistindo JAKQ e nunca vi nenhum blog falar muito a respeito daquela série, resolvi então fazer uma análise que fosse o mais completa possível. Foi difícil reunir o conteúdo, tive que me basear mais naquilo que assisti do que naquilo que encontrei na Internet, mas no final deu tudo certo.

7- Bom, por tudo o que você já demonstrou na Tokunet_ seja fazendo suas matérias, seja nos presenteando com sua amizade_, não dá para negar que você tem mesmo muita força de vontade em querer fazer sua parte pelo tokusatsu, e demonstra também muito desejo de conquistar ainda mais amigos através dela. De onde vem todo esse fôlego?
Este fôlego vem de querer sempre estar com amigos que realmente gostam do assunto, e que sempre ajudam a divulgar o tokusatsu. Sempre tento procurar ajudar ao máximo os meus amigos quando possível, e mesmo não conseguindo ajudá-los, tento de alguma outra forma dar minha força. Enfim... minha maior alegria é ver que este meu "fôlego" chega até as pessoas, e que estas mesmas pessoas possam gostar dele, depois transmitindo o "fôlego" delas para outras. Isso me deixa muito feliz, e fico mais feliz ainda que o tokusatsu esteja relacionado a tudo isto.

8- Ainda falando no Blog Toku Force. Estou aqui com uma cópia da entrevista que você concedeu por lá, para o nosso Admilton Ribeiro. Nela, você contou um pouco sobre suas primeiras experiências com os tokus, que incluem sua fascinação por Changeman_ um mito para os tokufãs da minha geração. Já você Vinicius, é um tokufã bem novinho, e mesmo assim parece interagir conosco sempre à vontade, e exibe um conhecimento similar_ por vezes, também superior_ aos dos mais experimentados. Como você definiria a recepção por parte do pessoal tokufã mais velho_ acredito eu, a maioria_ para com você?
A recepção é um pouco engraçada e divertida. A maioria do pessoal pensa que sou mais velho, e ficam contando sobre a infância deles, quando assistiam os tokus que passaram por aqui. Daí, eu simplesmente fico imaginando: "como seria aquela época, com tanto conteúdo ótimo na televisão brasileira?".
Até que eu tive a sorte de assistir bons programas na televisão_ e por muitos anos. Mas sempre falo ao pessoal que tenho apenas 17 anos, e todos ficam muito surpresos (é obvio). Mas é super legal conversar com o tokufã mais velho, que me ensina mais sobre o tokusatsu, e é bom também saber que eu posso ensinar a eles o pouco que sei sobre os tokus.

9- Para a gente terminar, eu quero deixar aqui o meu recado pessoal para você, antes da pergunta final. Para mim, Vinicius, é motivo de muita emoção saber que temos alguém tão novo de idade (17 anos, na data de hoje) ente nós, tokufãs. Sinto uma satisfação maior ainda em saber que esse cara é justamente você, que usa toda a força de sua juventude em prol da preservação de uma amizade bacana conosco. Acho que você tem de tudo para liderar, encabeçar uma nova geração de tokufãs num futuro próximo. Agora, no presente, enquanto você tem eu e os outros colegas ao seu redor para interagir (cada qual com suas mídias), como que você acha que o Henshin World, meu site, e os sites dos demais poderiam estar contribuindo para manter a atual paixão que você tem pelo tokusatsu?
Henshin World e outros blogs de tokusatsu que acompanho contribuem me ajudando a manter uma visão ampla daquilo que é o tokusatsu. Tokusatsu não é só uma simples série, que serve apenas para vender brinquedo. Tokusatsu reflete o respeito ao próximo, a amizade, a emoção, a dedicação e o amor, e são esses quesitos que eu sempre quero guardar comigo.
Respeitar a todos. É isso que o tokusatsu quer ensinar ao telespectador. Quando eu leio matérias de tokusatsu no Henshin World, vejo sempre a sinceridade e a crítica que não afeta ao próximo. Um trabalho singelo, de um verdadeiro tokufã, que quer ter sua opinião entendida e compreendida por todos.
10- Legal demais conversar contigo por aqui. Deixemos para todos mais este documento à favor do tokusatsu.
Quero agradecer a você meu parceiro, meu irmão, Goggle Red, é muito prazeroso conversar com você, e obrigado por me dar esta oportunidade que você me concedeu agora, desta entrevista comigo. E quero também parabeniza-lo, pelo seu conteúdo e pela sua dedicação ao tokusatsu. Como não tive a oportunidade de dizer isso para você antes, posso dizer agora_ através desta entrevista_ que você é uma das minhas fontes de inspiração, pela pessoa que você é. Que este blog seja de muito exemplo para todos que querem começar a escrever, e que nunca deixem de acompanhar o blog e a Fan Page Henshin World.