sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Crítica do "Heisei Rider Vs Showa Rider: Kamen Rider Taisen"

A influência de duas grandes gerações que percorreu décadas, numa guerra além dos limites da vida e da morte. Essa é a proposta nada modesta do "Heisei Rider Vs Showa Rider: Kamen Rider Taisen", filme que ganhou suas primeiras cópias legendadas pelos nossos fansubs recentemente. A produção também pode ser vista como uma grande homenagem ao épico movie do Kamen Rider ZX, de 1984_ o primeiro a ter reunido todos os Riders de então em suas fileiras para confrontar o Império Badan, numa história captada aqui como referência principal.
Ao narrarmos a sinopse de "Showa Vs Heisei", os parênteses de comparação com a trama do ZX são tão frequentes quanto inevitáveis. Até por isso, o especial de 30 anos atrás entra como uma sugestão obrigatória a quem quiser acompanhar este longa, pois é uma prévia que adiciona muito na compreensão e no reconhecimento de certos costumes. A começar pelo núcleo de Badan, que de Império Subterrâneo é promovido a passagem para o Mundo dos Mortos. Sua ambição em tocar adiante o chamado "Mega Plano de Inversão", trocando o universo dos vivos pelo dos finados, é algo próximo do discurso de Kuraiyami Taishi nos anos 80, que almejava causar alterações dimensionais em nosso mundo. Mesmo a gigantesca máquina com a qual os vilões planejavam reverter o posto da humanidade é claramente baseada numa semelhante do movie antigo que, para quem viu e não lembra, deveria ser acionada por um combustível conhecido como Badanium 84, "substituído" na trama deste ano pelo potencial do garoto Shu Aoi.
Ren Aoi se transforma no novo Fifhteen, Rider cuja
capacidade de adquirir diferentes Armored Forms (como a
do Gaim de Kouta Kazuraba) colocam-no no centro de uma
aposta desesperada pela vida de seu filho Shu
Falecido após desiludir-se com sua mãe, o garoto vaga pelos mundos dos Heisei Riders como um morto-vivo, que só nessa condição descobre sua aptidão para viajar através de espaços físicos. Na vontade desenfreada de reviver o filho, Ren Aoi_ o pai de Shu_ assume-se como o Kamen Rider Fifhteen para ser o braço forte de Badan, ao lado de monstros históricos como o Tiger Roid. Inédito, Fifhteen é um Rider que se auto-define portador do poder dos 15 principais antecessores desta era. De fato, sua força se mostra notável nas lutas, mas não tanto quanto sua capacidade de adotar diferentes Armored Forms dos demais Heisei_ todas com um encaixe no mesmo estilo dos guerreiros da série atual, Kamen Rider Gaim. Tal habilidade de Fifhteen é alcançada em virtude de uma Lock Seed especial. E ainda na trilha dos hábitos de Gaim, o filme trás outras Rider Seeds, estas geradas a partir de cada Kamen Rider derrotado. Para juntá-las em maior número possível, o novo Kuraiyami Taishi_ cujo remake reserva uma surpresa tão grande que merece ser poupada de spoilers_ manipula uma série de confrontos dos Showa contra os Heisei, difundindo entre os veteranos intrigas de uma suposta cumplicidade da nova geração com Badan.
Aos 68 anos, Hiroshi Fujioka esteve à frente da turma de
atores originais que reviveram seus papéis do
universo Kamen Rider neste filme
Tão esperado quanto as releituras, outro encanto desses filmes de estilo Taisen é sempre a reaparição de atores que protagonizaram suas séries de origem. Dos mais antigos, Hiroshi Fujioka é, para muitos, a maior atração. Aos 68 anos, o ator lidera seu núcleo, seguido por outros dois que, pelo menos para mim pessoalmente, são merecedores de idolatria ainda mais incisiva: Ryo Hayami (como Jin Keisuke, o Kamen Rider X, de 1974) e Shun Sugata (Ryo Murasame, o ZX original).
Eu já havia comentado por mais de uma vez, aqui mesmo no blog, o quanto sou fanático pelo Shun Sugata, seja por seus atributos artísticos, seja por sua capacidade de reinventar-se na interpretação. Para mim, ele é um alter-ego sem similar na história do gênero Kamen Rider, algo que nem Fujioka, nem mesmo Tetsuo Kurata conseguiriam igualar. Até por isso, gostei muito de revê-lo no papel que, por direito, é só seu, e que o posiciona em seu espaço definitivo_ ao contrário de outras figurações rasas que ele viria a fazer em tokus após 1984, como no movie gekijouban de Janperson, por exemplo. Do elenco mais recente, retornaram ainda Kento Handa (Takumi Inui, o Kamen Rider Faiz de 2003), Ren Kiriyama (Shoutaro Hidari, o Joker de Kamen Rider W em 2009/10) e Masahiro Inoue (Kadoya Tsukasa, o Kamen Rider Decade em 2009). Com aparições mais curtas (e menos relevantes), Shuniya Shiraishi (Haruto Soma / Wizard) e Kohei Murakami (Kusaka Masato / Kaixa, que nem chega a se transformar) completam a lista dos rostos conhecidos.
Os Kamen Riders X e Faiz em batalha: afeição entre os dois
na trama evoca paradoxos similares de suas origens, de
cenários e até da inspiração de ambos na cultura grega
Aos que sempre exigem explicações plausíveis desses encontros, vale uma nota: ainda que distantes por muitos anos, os núcleos interagem bem neste filme. O bloco que envolve Keisuke Jin e Takumi Inui é um belo exemplo da eficácia dessa tentativa de interação. A afinidade entre ambos combina paradoxalmente o nome do Rider mais velho (X) com o de Kaixa (a mesma letra, porém, numa reinterpretação do alfabeto grego), cujo antigo usuário principal, Kusaka, sofreu uma morte polêmica em sua época, deixando sequelas emocionais em Takumi que se manifestam só agora. O acabamento no script de tal passagem também é primoroso. Quando Keisuke diz para Takumi "vá ver o mar", numa tentativa de confortá-lo, a frase parece perfeita para que ele se refira a relação íntima com o habitat ao qual se forjaram seus próprios poderes de Rider X. Mas, em outro plano, ele também convida Takumi a refletir sobre o momento em que viu o ex-companheiro morrer, evocando o cenário em que Kusaka se desfez em areia.
Esse modelo já deixa bem evidente como os bons conhecedores dos Showa Riders mais antigos terão de tudo paras se deliciarem com certos pontos desta produção, que ainda reconstrói os henshins com uma profundidade comovente. A manutenção dessa mesma profundidade diante das investidas tecnológicas que o tokusatsu conquistou com o tempo mostrou-se sólida, e felizmente foi correspondida.
Ao recriarem os henshins dos Riders antigos, as conquistas tecnológicas atuais foram tão pacientes quanto
conscientes, pois reconheceram a magnitude que tais momentos tinham em seus seriados de origem
É recompensador vermos como nossos atuais efeitos especiais_ sempre atrelados à velocidade_ foram pacientes para com as alterações lentas e graduais que dão o tom da emoção na transformação do Kamen Rider X, por exemplo. Keisuke Jin optou pelo grito de "Set Up!" da fase inicial do seriado de 1974 (em detrimento do posterior "Dai Henshin!"), num processo de mutação que incrivelmente ainda recuperou parte do aspecto meio-psicodélico do plano de fundo original_ ainda que em outros termos visuais. Takeshi Hongo pôde, enfim, deixar explícitos certos detalhes de sua composição de cyborg no segundo henshin que executou, enquanto que Ryo Murasame foi um pouco prejudicado pela perspectiva de filmagem, mas fez brotar novamente uma garra idêntica a que demonstrou há 30 anos atrás. Segue sendo meu favorito.
Além da perspectiva de filmagem, que citei agora, o trabalho de iluminação em alguns momentos da película está entre os poucos pontos negativos que eu destacaria aqui_ e que talvez não influencie muito para quem ainda for assistir. Mesmo se somados à fotografia (suficiente, mas abaixo da do "Super Hero Taisen" de 2012), são meros itens técnicos que perdem importância quando comparados aos demais êxitos da produção.
Destes, a área destinada à ação é, talvez, a mais beneficiada, com muitas cenas de luta que, a meu ver, superam as do próprio seriado do Kamen Rider Gaim. O uso moderado de CGI contribui muito para isso, mas o reconhecimento da natureza de cada Kamen Rider, assim como das limitações de suas habilidades originais, vai além, pois adiciona respeito à fantasia de outros tempos. Nesses casos, a tecnologia entra somente como potencializadora, e praticamente se ausenta nas batalhas de Riders como Shin e Amazon_ ambos mutantes "puros", ou seja, sem qualquer traço cibernético que dê vazão à raios, fogo ou qualquer outro efeito poderoso obrigatório nos tokus de nosso século.
O inédito TokkyuOh KyoryuJin foi a personificação
definitiva que marcou a rasa participação dos dois
mais recentes Super Sentais na guerra dos Riders
Na onda dessa ação, entraram também os dois mais recentes Super Sentais. Kyoryuger foi representado apenas por Daigo (o Kyoryu Red), enquanto que Tokkyuger surgiu com seus cinco membros principais. General Schwarz, acostumado ao reino de escuridão da Shadow Line, não poderia deixar de se afeiçoar a um mundo igualmente obscuro como o de Badan, mas a verdade é que a ponta destinada a esse gênero foi bem modesta, como já era de se esperar. Porém, o modesto aqui não rima com irrisório. A participação desses Sentais foi suficiente para gerar certos itens curiosos como o gattai do TokkyuOh KyoryuJin. Esse inédito robô gigante fez Daigo entrar no clima de seus sucessores com muita descontração. Em outra grande surpresa da fita, ele acaba pilotando uma versão trem de seu Gabutyra, numa deixa perfeita para envolver também o Kamen Rider Den-O com sua temática semelhante.
Para fechar com chave de ouro, a versão do filme com o final em que os Heisei Riders saem como vitoriosos reserva um belíssimo presente para os espectadores que, assim como eu, optarem por assisti-la. Trata-se de uma mensagem comovente que, apesar de já ter sido usada no passado em produções como "Gaoranger Vs Super Sentai", de 2001, aparece com força suficiente para que nos sintamos satisfeitos, e envoltos numa atmosfera muito positiva após quase duas horas.
O belo momento do final não poderia deixar de ser precedido por mais uma homenagem ao especial do ZX, com a execução do Rider Syndrome_ poder que os guerreiros derramaram sobre Shu, e que imita a mesma coreografia utilizada no Rider Shock, a união de forças dos dez Showa Riders, em 1984, conforme podemos comparar pela imagem ao lado. Nos créditos, uma nova versão da música "Dragon Road" (tema de ZX por Akira Kushida), repaginada eletronicamente, encerra as lembranças daquela que foi a primeira grande união de Kamen Riders_ refletida nos dias de hoje, com este filme, e ainda demonstrando ânsias de se repetir por muitas outras vezes mais no futuro.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ultraman Ginga S: continuidade e preservação histórica

A dúvida mais natural que vários tokufãs vêm demonstrando em relação à nova série Ultraman Ginga S é uma só. No caso, se ela é ou não uma continuação da anterior, Ultraman Ginga, produzida e exibida no Japão em 2013. Oficialmente, ela é tida como a segunda temporada do Ginga de 2013. Pessoalmente, a melhor resposta que eu poderia dar é que sim, ela é uma continuação. Mas uma continuação que pode ser acompanhada como novidade, pois em nenhum momento depende da trama anterior, e muito menos usa a conclusão da mesma como ponto de partida para desenvolver sua própria história.
As bases de continuidade entre Ginga e Ginga S são muito mais reais do que certas "sequências" que, para mim, não passam de falsos mitos_ como, por exemplo, Sun Vulcan para Denjiman. Ao invés de se apoiar apenas em fatos irrelevantes ou em lembranças rasas, Ginga S faz com que o espectador (e não a especulação) seja o verdadeiro beneficiário do que é sequência, pois aquele que conhecer ao menos um pouco do Ginga anterior irá dispor de um trunfo a mais para viajar por esta nova história.
A composição da UPG (Ultra Party Guardians):
reaproveitamento consciente de personagens no
retorno à tradição dos Esquadrões de Apoio
Dentro desse debate, o reaproveitamento de certos personagens do seriado passado é o maior de todos os atrativos. A começar por Hikaru Raido, que à exemplo de Issamu Minami nos anos 80, lutará por mais uma temporada, de novo como hospedeiro de seu Ultraman Ginga. Vale notar que, pelo ponto de vista do próprio Hikaru, essa etapa nada mais é do que uma nova aventura para alguém que_ tal como ele_ ambiciona viver a rotina de um aventureiro sem limites, sempre percorrendo diferentes mundos e encarando os mais diversos desafios. Junto com o antigo protagonista retornou_ ainda nos episódios iniciais_ Ichijoji Tomoya. O ex-rival de Hikaru, que se notabilizou em 2013 por ter controlado Jean Killer, reaparece aqui como um dos cérebros da UPG (Ultra Party Guardians), uma equipe de inteligência bélica que resgata a grande tradição do gênero aos Ultra Esquadrões de Apoio. Este esquadrão (cujos membros lutarão sem os habituais capacetes) trás em suas fileiras boa parte dos novos personagens, como o Comandante Jinno Yoshiaki e os soldados Gouki Matsumoto e Arisa Sugita_ esta, postulante mais forte a heroína da série. Inesperadamente, Hikaru logo se une à eles, após comover o Comandante Jinno com sua demonstração de coragem ao enfrentar um Kaiju mesmo sem seus poderes de Ginga_ que só retornam mais adiante.
O novo Ultraman Victory (à esquerda) enfrentará um vilão em potencial,
cuja subordinada é a forte 
One Zero (no centro, acima). Mas o maior 
desafio de Sho (no centro inferior, de preto) será fazer valer a vida de
seu povo Victorian, à sombra de seu senpai Ultraman Ginga (à direita)
A adesão de Hikaru à UPG serve para exemplificar bem a habilidade com que os produtores responsáveis pelo elenco estão trabalhando nesta série. Tanto ele quanto Ichijoji podem não ser os únicos a retornar da trama do ano passado, mas só eles já provam como os personagens de Ginga estão sendo reaproveitados de modo consciente, e não de qualquer forma_ algo que, pelo que sei, nenhum outro gênero atual foi capaz de fazer em séries até o momento.
A interação deles com os personagens recém-chegados é outro ponto importante. Se antes era protagonista indiscutível, desta vez Hikaru é quase um coadjuvante, visto que este seriado girará em torno de Sho, o Ultraman Victory. Ambos lutarão contra um único vilão em potencial_ no caso, Chibu Exceller, que terá o apoio fiel de sua subordinada One Zero nas batalhas campais_, num confronto que carregará alguns costumes herdados do Ginga de 2013. Nesse ponto, o espectador antigo novamente sairá lucrando, e se deliciará perguntando a si mesmo aonde One Zero conseguiu uma Spark Doll que lhe dá poderes de se hospedar em conhecidos monstros do Universo Ultra.
Um dos exemplares da Pedra Victorium, o cristal que Sho
deve proteger: aparições por todos os cantos do mundo
Também muito semelhante à Ginga Spark é o Victory Lancer, Ultra Condutor dos poderes de Victory, confiados a Sho pela Rainha da Civilização Victorian. A meta é proteger a Pedra Victorium das ambições de Exceller, pois o cristal, tido como a fonte de vida daquele povo, está agora misteriosamente relacionado a nosso planeta. Exemplares estão sendo encontrados por todo o mundo e, segundo apurou a UPG, até na composição dos Kaijus inimigos controlados por One Zero. Surgindo apenas temporariamente através de um vácuo no céu, a aparição dos cristais indica a hora e o momento em que Ultraman Victory deve entrar em ação, para fazer valer a vida de seu povo, a despeito da compreensão (ou da incompreensão) dos terráqueos.

Um início promissor
Até o dia em que comecei a escrever esta matéria, só haviam dois episódios de Ultraman Ginga S disponíveis aos fãs. Cedo, portanto, para afirmar se a civilização da qual Sho faz parte é outro planeta ou apenas uma dimensão paralela. Mas o fato é que o núcleo do herói é um dos mais interessantes, justamente por ter um certo clima místico que pode vir a ser um diferencial, talvez ainda mais incisivo que o do resgate à certos itens da identidade básica do gênero Ultra que, na visão de alguns fãs, estiveram ausentes em 2013. Neste caso, a mística pode, por exemplo, compensar a falta da simplicidade cativante que havia num Ultraseven, e que é inapelável para os recursos de hoje. Ou ainda, garantir a manutenção de uma certa atmosfera de mistério, mesmo numa época em que a tecnologia cria o impossível com facilidade, deixando tudo claro e explícito para o espectador.
O protagonista Sho (no destaque) e seu núcleo (no quadro
superior direito), cujo clima místico pode ser um diferencial
para o seriado. Já o núcleo dos vilões (logo abaixo) é o que
melhor exemplifica o nível tecnológico atual
Não obstante, é o núcleo dos vilões o que mais deixa transparecer o nível atual dessa tecnologia, e num grau muito maior até do que tudo que se viu nos efeitos especiais da última temporada. O interior da nave de Exceller é um modelo disso, com uma estrutura de itens translúcidos em LED que fazem um excelente eco visual com a própria imagem do vilão, manuseada através de processos gráficos.
As cenas de luta também estão fazendo um uso maior do CGI em relação ao ano passado, mas nada que assuste os Ultrafãs assíduos. De acordo com Marcos Lima_ colaborador na Fan Page do Henshin World no Facebook, onde é responsável pelo gênero Ultraman, entre outros_, a ação em Ultraman Ginga S é tão frequente que chega a relembrar, nesse quesito, séries como Ultraman Leo. Marcos notou ainda que os Chiburoids controlados por One Zero trazem certa semelhança com os soldados rasos vistos desde sempre nos Super Sentais, o que pode servir como atrativo extra para quem goste de ambas as franquias. E, no meu ponto de vista pessoal, a aposta nesse tipo de ação já começou a dar frutos, pois a luta de Arisa contra One Zero e seus comandados foi um dos melhores momentos desse início promissor.

O poder da manipulação
Arisa luta no segundo episódio: ritmo frenético de ação em
Ginga S compartilha até elementos dos Super Sentais
Se o núcleo dos vilões se destaca pelo potencial visual e o de Sho pelo clima místico, o núcleo da UPG, ao mesmo tempo que encaixa bem Hikaru e Ichijoji, fica como o ponto de ligação da trama com os hábitos e os costumes atuais_ ainda que ele mesmo seja expoente da mais antiga memória dos seriados Ultraman. A base do esquadrão é toda cheia de projeções em hologramas, ao melhor estilo Gobusters, e compete com o espaço de Exceller em termos de fantasia. Acredito ainda que cenas de luta como a que Arisa protagonizou podem ser fundamentais para dar valor a esse núcleo pois, como podemos perceber pelas descrições que fiz, a concorrência com os demais é grande, e mesmo a membra da UPG poderia ter seu posto de heroína disputado por Sakuya_ irmã de Sho, ao lado do garoto Repi.
Sho em companhia de seus irmãos Repi e Sakuya:
proximidade com o protagonista faz a menina disputar
com Arisa o título de heroína da série
A diversidade de núcleos pode até ser uma vantagem em potencial com relação à temporada que o Ginga teve em 2013. Mas, como um todo, me parece bem mais difícil afirmar se Ginga S é de fato superior. Ainda que o retorno à algumas das melhores tradições tenha caído como uma luva ao gosto dos Ultrafãs preocupados com a preservação da identidade da marca, cada trama aspira por sua magia em particular. Em 2013, a maioria das lutas do Ultraman Ginga só ocorriam pelo fato de pessoas comuns terem seus sonhos manipulados por um vilão que, indiretamente, não agia por conta própria. Neste ano, o principal poder do novo Ultraman Victory surge como um contraponto na medida exata para isso, já que o Ultrans manipula parte das habilidades de um Kaiju e as transfere, na forma de força e alterações físicas, para o próprio guerreiro.
O poder de manipulação de Ultraman Victory (no destaque)
transcende suas próprias capacidades. À sua maneira, ainda
segue a linha inovadora estabelecida pelo antecessor,
Ultraman Ginga (de costas nesta imagem)
Diante disso, até as capacidades natas de Victory_ como os golpes Victorium Slash e Victorium Shoot_ parecem menores. E mesmo o controle que Sho desempenhou sobre Shepardon, no duelo contra X_Red King_ abrindo a ação principal da série com uma luta entre Kaijus, tal como em 2013_ nos faz questionar até onde vai a autoridade que o protagonista exercerá sobre esses monstros. Na trilha de Ginga, eles próprios continuam sendo revisitados, a se notar pelo meu favorito, Eleking, renascido de Ultraseven para servir de obstáculo aos heróis já no segundo episódio.
Toda essa soma de valores faz com que Ginga S, mais do que uma mera continuação de Ginga, seja encarado como um complemento do seriado anterior. Cabe agora a cada Ultrafã aproveitar o desenrolar dessa produção que, ao mesmo tempo que resgata, inova.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Sukeban Deka The Movie legendado: uma parceria Henshin World & Rampage Subs

Sukeban Deka é uma criação original do mangaká Shinji Wada que posteriormente ganhou adaptações em anime e dorama. O dorama teve três temporadas, exibidas pela TV japonesa entre 1985, 86 e 87. Existem ainda filmes e especiais derivados das duas últimas seasons, além de uma releitura moderna, lançada em 2006. Para os que ainda não conhecem a história e querem assistir nosso filme sem maiores confusões, esta descrição que fiz na sequência para as três temporadas do dorama pode vir a ser útil_ além de servir como aperitivo.
A história de Sukeban Deka gira em torno da estudante colegial Saki Asamiya. Tida como delinquente juvenil, Saki atua como agente secreta para uma misteriosa organização conhecida como "O Gabinete"_ cujo líder, Kuraiyami Shirei (ou "Diretor das Trevas", numa tradução livre), é o único personagem em comum a aparecer nas três temporadas do dorama. Portando um iôiô como arma primária, Saki luta movida por anseios pessoais, porém puros o suficiente para que ela nunca ignore os conceitos de justiça e verdade cabíveis a uma heroína.

Tal como o anime, o seriado de 1985 foi bastante fiel ao mangá. Nele, a Saki "original" é assistida pelo agente Jin Koichiro enquanto luta para adiar a execução de sua mãe, condenada por assassinato. Após essas apresentações, a série ganha mais densidade quando entra em sua fase decisiva, a partir do 11º episódio. Daí até o final, a protagonista combate o tráfico de influência das irmãs Mizuchi (Reimi, Aiyumi e Kumi).

Na temporada seguinte do dorama (1986), Saki é sucedida por Yoko Godai, que adota o codinome da sucessora para lutar. Selecionada por Kuraiyami Shirei após árduo treinamento, a garota carrega um surpreendente histórico de vida. Órfã de pai, foi criada pela mãe presa a uma máscara de ferro que adornava toda sua cabeça (a Tekkamen) e que era programada para suprir as necessidades da jovem ao longo de seu crescimento. Com a assistência do agente Nishiwaki, essa nova Saki luta contra as ações do grupo Seirokai e seu líder, Soto. Sua ambição é desvendar suas próprias origens, assim como a de seus pais. A menina ainda conta com a amizade e cooperação de outras duas delinquentes que aderem a sua causa: a meiga Yukino Yajima e a rude Kyoko "Okio" Nakamura.

Inovações ainda mais intensas em relação ao original são vistas na Season III, de 1987_ na minha opinião, a melhor e mais interessante. O trio de sukebans (novidade trazida pela temporada anterior) reaparece na figura das carismáticas irmãs Kazama_ Yui, Yuka e Yuma. Em comum, as três carregam os Bonji, estigmas que revelam misteriosos ideogramas, capazes de ampliar a força da portadora. Técnicas de arte ninja e zen oriental povoam as cenas de ação. Muitas lutas ainda são frequentemente temperadas por rituais mágicos e exemplos de superação pessoal. Na posição de Saki, Yui conta com o apoio de Yoda, seu professor de inglês (inicialmente camuflado por um traje tradicional e uma máscara Hannya) para combater a feitiçaria do Clã Kage, encabeçado por Sho. Há ainda Leya, uma segunda subordinada de Kuraiyami Shirei que assiste as irmãs heroínas ao longo dos 20 primeiros episódios.

O filme que estamos lançando (e que tive a satisfação de legendar) marca a transição da 2ª para a 3ª temporada do dorama. Neste longa, a "Saki" Yoko Godai decide retornar à luta justamente no momento em que ela achava ter conquistado a liberdade que nunca teve e sempre sonhou. E eu acho que é bem a partir daí que a profundidade desta história começa a se manifestar. Até porque, dentre todas as sukebans, Yoko foi a que mais ansiou por viver como uma garota normal_ ainda mais após livrar-se da Tekkamen, fato que deu início a sua saga de espiã.
Há duas cenas em episódios da Season II que refletem perfeitamente esse sonho de Yoko por uma vida normal. Na primeira delas, a jovem brinca com Okio numa loja de roupas, onde prova vários modelos para que a amiga avalie. Na segunda, passeia com dois garotos, que a cortejam e são gentis com ela. Em ambas as situações, Yoko teve sua alegria interrompida pela abordagem sutil de seu agente Nishiwaki_ sempre de prontidão para lembrá-la de suas reais obrigações.

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Experiências como essas fizeram desta segunda Saki a melhor sukeban da história. Esta aventura foi sem dúvida seu maior desafio, mas também o último passo antes dela alcançar a vida que sempre quis para si. Para libertar um grupo de jovens de uma fortaleza de torturas conhecida como Castelo Infernal, Yoko lutará mais uma vez ao lado das velhas companheiras Okio e Yukino. A produção ainda serve para apresentar Yui Kazama, a sucessora de Yoko designada pelo Gabinete. Numa excitante prévia para a temporada que se seguiria, Yui se une às outras garotas como um importante reforço para a batalha final de sua senpai. As demais irmãs Kazama_ Yuka e Yuma_ também aparecem, coadjuvando numa pequena ponta do filme.

Eu sou fã incondicional das três seasons do dorama. Suas sucessivas inovações de roteiro chamam tanta atenção que, para mim, só há uma coisa ainda mais legal que isso: a escolha do elenco. Nessas temporadas, todos os papéis principais eram dados a cantoras de grande projeção no universo J-Pop da época. Em 1985, Yuki Saito reinava quase soberana como a primeira Saki, enquanto que outras artistas do mercado fonográfico japonês apenas figuravam em episódios isolados ou como personagens menores. Mas já a partir da Season II tal panorama mudou radicalmente. Com um mínimo de três heroínas por série, mais idols de sucesso ganhariam seu espaço, não apenas para aparecer com frequência como também para contribuir na trilha sonora com seus singles recém-lançados. Só na Season III, por exemplo, foram mais de dez as faixas tocadas, todas divididas entre cinco versões da ending e muitas cenas de luta das irmãs Kazama_ cujas intérpretes assinavam a maioria dos temas musicais.
Neste filme, o trio principal de sukebans é vivido pelas mesmas cantoras/atrizes que figuraram na segunda temporada do dorama: Haruko Sagara como Okio, Akie Yoshizawa como Yukino e Yoko Minamino (ou simplesmente "Nanno" para os fãs) como a "Saki" Yoko Godai. Ao lado delas está também a fantástica Yui Asaka, como Yui Kazama_ esta, no mesmo papel com o qual protagonizaria a season seguinte.
Música principal desta produção, o single "Rakuen no Door" (1987) foi, em minha opinião, o melhor na longa carreira musical da Nanno. Feita com exclusividade para o filme, a faixa (cuja tradução significa "Portal do Paraíso") reflete em sua letra toda a intensidade de sentimento da protagonista rumo a conquista de sua tão almejada vida normal_ sem dúvida, seu próprio paraíso particular.

Título: Sukeban Deka: The Movie (1987)
Produtora:  Toei
Duração: 95 minutos
Formato: MKV Softsub (690.5 Mb)*
Legendas e Tradução: Goggle Red (Henshin World)
Timing e Typesetting: Clock Up (Rampage Subs)

DOWNLOAD

*Para a versão em AVI Hardsub visite o site do Rampage Subs