quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Top Five: episódios inesquecíveis de Maskman

Acredito que alguns de nossos leitores habituais, acostumados com a rotina editorial daqui do blog devem estar um pouco surpresos com o teor desta postagem. Relembrar Maskman na época do ano em que estamos soa como ousadia até para mim mesmo. Sei bem como todas as atenções ainda estão voltadas para a estreia recente que Kamen Rider Drive teve, e como tal assunto deveria figurar não apenas no status já publicado em nossa Fan Page, mas também por aqui_ pelo menos, para corresponder às estruturas que esta mídia já tem.
Mas não foram poucos os motivos que me fizeram, se não ignorar, adiar um post sobre o novo Rider. O primeiro deles foi uma conversa recente que tive com o amigo Clock Up (meu parceiro pessoal nos lançamentos de Sukeban Deka I, projeto que mantenho junto ao blog Rampage Subs). Comentando sobre meu período de trabalho por aqui, ele simplesmente adivinhou minhas intenções de lançar algum artigo sobre o Drive_ algo que, provavelmente, outros de nossos seguidores também tenham imaginado.
Portanto, para fugir dessa previsibilidade, driblar minha baixa empolgação (confessada agora) pela estreia e, principalmente, para não focar o mesmo gênero em duas matérias seguidas, a opção por Maskman me pareceu mesmo a mais viável. E as razões que encontrei para destacar os defensores da luz no quinto Top Five de nosso blog foram ainda mais numerosas do que as que me fizeram relegar o novo Kamen Rider.
Acima de tudo, vale citar que Maskman é o meu verdadeiro Super Sentai preferido, dentre todos. Muito acima do que sugerem as aparências de meus perfis na Tokunet (ou a suposição de terceiros), ele é um seriado com um notável valor afetivo para mim. Essa minha relação com Maskman ainda se confunde com a própria história do Henshin World e seu renascimento_ cujo aniversário de três anos acontecerá no mês que vem. Destacar o esquadrão numa publicação deste nível não deixa de ser uma maneira de anteciparmos as comemorações_ e uma alternativa aos chatos textos em primeira pessoa que eu nunca escapo de lançar a cada 18 de novembro.
De certa forma, Maskman já havia figurado em outro Top Five por aqui_ o primeiro, em que o Chefe Sugata representou-o como meu segundo favorito comandante de Super Sentais. Ainda mais marcante para mim dentro daquela equipe é Akira, o Blue Mask. De longe, ele é o guerreiro com o qual eu mais simpatizo, somando-se todos que já foram apresentados pelo gênero. Em Maskman, cada membro possuía um estilo de luta diferente do outro, mas todos só se complementavam diante de uma canalização satisfatória do Aura Power_ a aura de energia que existe, inerentemente, dentro de cada ser humano.
O tema inovador garantiu uma grande quantidade de episódios intensos, sedutores, e com uma ampla gama de mensagens bonitas. Esta seleção de cinco deles trás como meta aflorar a nostalgia dos que já os viram (e talvez se esqueceram) e também incentivar, como sempre, a criação de novos públicos.

Posição 5: Episódio 25-"O amor de Akira"_ Desde muitos episódios antes deste, Akira já havia me conquistado. No primeiro que protagonizou ("O pequeno espadachim Blue"), o garoto demonstrou o alcance de sua simplicidade. Já nesta aventura, sua disposição para encarar grandes dificuldades deixou explícito o apego amoroso e avassalador de um filho para com sua mãe.
Não há no mundo sentimento mais forte, recíproco e recompensador, é o pensamento que nos vem, assim que é revelado o motivo pelo qual Akira arriscou sua vida no obscuro "Torneio Internacional da Arte Militar". Suas palavras resumem o conteúdo de seu coração: "minha verdadeira arte é limpar o corpo e treinar a alma".

Posição 4: Episódio 20-"A cilada"_ Primeiro episódio de um arco de três, que culminou no surgimento do Land Galaxy / Galaxy Robo. Nele, Anagoumas usa sua experiência de 340 anos de vida para dar início a um plano diabólico cujo alvo foi Pink Mask. A queda da guerreira diante do inimigo nesta aventura escancarou a união completa do grupo como fator primordial de sua força.
Ainda sem desconfiar de nada, Momoko fez um pacto consigo mesma de não se transformar na luta contra Dokurodogla. Diante de seus alunos de dojo, buscou honrar a palavra de acreditar apenas nas próprias capacidades. Cedeu à transformação só muito mais tarde, após o pedido de Red Mask. Por causa disso, apanhou como nenhuma outra guerreira Pink na história dos Super Sentais, mas demonstrou_ também como nenhuma outra_ o valor da lealdade para com os demais à sua volta.

Posição 3: Episódio 36-"As gêmeas"_ Um dos grandes valores do tokusatsu é a capacidade que suas histórias têm em tocar nosso íntimo, nosso sentimental. Mesmo quando tais histórias não nos alcançam dessa forma, fica evidente como as mesmas são criadas, desde o início, para que busquem pelo seu "espectador ideal". O drama vivido pelas irmãs Eriko e Mariko conseguiu atingir uma parte importante que há desde sempre em meu âmago pessoal.
A dependência em estar próximo de alguém que consideramos essencial em todos os momentos de nosso dia a dia foi representada aqui com perfeição_ ainda que simbolicamente_, através da energia destrutiva que cada gêmea manifestava, tão logo uma entrasse em desespero pela ausência da outra. Ainda que não explicitado, ficou claro neste episódio que tal desespero não se resumia ao afastamento temporário das irmãs, mas sim à falta de uma perspectiva para que elas se encontrassem. Nem Eriko nem Mariko sabiam quando estariam juntas novamente. E o fato de cada menina ter o rosto coberto por uma das faces assustadoras do monstro Nimendogla conseguiu expressar ainda a situação emocional de ambas_ caminhando às cegas, em meio ao caos, sem conseguir enxergar o fim de seus sofrimentos, nem de seus temores.

Posição 2: Episódio 09-"A aura da vida"_ Se afastar da temática espacial de seus antecessores foi, a meu ver, um dos grandes acertos de Maskman para que ele se conectasse de forma mais condizente com a estética visual de seu tempo (1987). Na única vez em que flertou com o tema, porém, o êxito foi imenso. Primeiro, porque soube combinar o mote espacial (uma mania da época) ao da importância vital da aura_ previamente definido para acompanhar a trama. Segundo, pelas preciosas brechas que abriu através das falas da alienígena Lola, para difundir mensagens tocantes ao extremo. A inocência da menina do Planeta M15, que chegou à Terra atraída pela aura de Takeru, carregava aquela típica simplicidade arrasadora. Suas constatações, tão singelas e até infantis, estão na frente de cada um de nós há séculos. Mesmo assim, nossa incapacidade de lidar com os problemas do planeta só evidencia, mais e mais, o quanto somos limitados enquanto "humanos desenvolvidos".
Lola ficou maravilhada com o fato da Terra possuir água_ com razão, sendo que isso é um diferencial e tanto diante de outros universos que temos conhecimentos hoje, com suas paisagens áridas, rochosas e desérticas. Ao tomar conhecimento das intenções do Império Tube, disse não conseguir compreender como poderia "haver guerra num planeta tão bonito" (!). Além de sua forte aura, Lola emanava ainda uma energia auto-defensiva derivada dela, que chegou mesmo a salvar Red Mask.

Posição 1: Episódio 10-"Igan contra Red Mask"_ Um único trecho deste episódio, com uma narrativa de Takeru, já se mostrou mais que suficiente para galgar o topo de nosso pódio hoje. Tal trecho se encontra selecionado num dos vídeos de meu canal no Dailymotion, e contém aquela que foi, provavelmente, a mais bela história contada dentro de um episódio de Super Sentai em todos os tempos.
Ainda que não seja meu comandante favorito no gênero (unicamente por ter se retraído diante da ameaça de Igan no episódio 40, "A melodia"), Chefe Sugata me comoveu como nenhum outro através de seu método de seleção para o posto de Red Mask. Tão logo reconheceu o sentimento de gentileza em Takeru, começou a testar sua resistência física e mental, num plano que, de tão ousado, ultrapassou todos os limites éticos e racionais do comandante. O desespero por salvar a superfície da Terra da iminente ameaça de Tube era, naquele momento, muito mais importante para ele do que a mera preservação de sua sanidade. Ter reconhecido isso, ainda que indiretamente, soma muitos pontos a favor do Chefe Sugata, e nos remete, pela via inversa, àquele famoso (e intenso) trecho bíblico: "A sabedoria dos homens é loucura aos olhos de Deus".
De tão bonita e recompensadora, a loucura de Sugata foi herdada por seu discípulo mais íntimo, que "com o espírito preparado" pôs sua vida em risco diante deste desafio proposto por Igan, sem hesitar em nenhum momento sequer.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Crítica do "Heisei Rider Vs Showa Rider: Kamen Rider Taisen"

A influência de duas grandes gerações que percorreu décadas, numa guerra além dos limites da vida e da morte. Essa é a proposta nada modesta do "Heisei Rider Vs Showa Rider: Kamen Rider Taisen", filme que ganhou suas primeiras cópias legendadas pelos nossos fansubs recentemente. A produção também pode ser vista como uma grande homenagem ao épico movie do Kamen Rider ZX, de 1984_ o primeiro a ter reunido todos os Riders de então em suas fileiras para confrontar o Império Badan, numa história captada aqui como referência principal.
Ao narrarmos a sinopse de "Showa Vs Heisei", os parênteses de comparação com a trama do ZX são tão frequentes quanto inevitáveis. Até por isso, o especial de 30 anos atrás entra como uma sugestão obrigatória a quem quiser acompanhar este longa, pois é uma prévia que adiciona muito na compreensão e no reconhecimento de certos costumes. A começar pelo núcleo de Badan, que de Império Subterrâneo é promovido a passagem para o Mundo dos Mortos. Sua ambição em tocar adiante o chamado "Mega Plano de Inversão", trocando o universo dos vivos pelo dos finados, é algo próximo do discurso de Kuraiyami Taishi nos anos 80, que almejava causar alterações dimensionais em nosso mundo. Mesmo a gigantesca máquina com a qual os vilões planejavam reverter o posto da humanidade é claramente baseada numa semelhante do movie antigo que, para quem viu e não lembra, deveria ser acionada por um combustível conhecido como Badanium 84, "substituído" na trama deste ano pelo potencial do garoto Shu Aoi.
Ren Aoi se transforma no novo Fifhteen, Rider cuja
capacidade de adquirir diferentes Armored Forms (como a
do Gaim de Kouta Kazuraba) colocam-no no centro de uma
aposta desesperada pela vida de seu filho Shu
Falecido após desiludir-se com sua mãe, o garoto vaga pelos mundos dos Heisei Riders como um morto-vivo, que só nessa condição descobre sua aptidão para viajar através de espaços físicos. Na vontade desenfreada de reviver o filho, Ren Aoi_ o pai de Shu_ assume-se como o Kamen Rider Fifhteen para ser o braço forte de Badan, ao lado de monstros históricos como o Tiger Roid. Inédito, Fifhteen é um Rider que se auto-define portador do poder dos 15 principais antecessores desta era. De fato, sua força se mostra notável nas lutas, mas não tanto quanto sua capacidade de adotar diferentes Armored Forms dos demais Heisei_ todas com um encaixe no mesmo estilo dos guerreiros da série atual, Kamen Rider Gaim. Tal habilidade de Fifhteen é alcançada em virtude de uma Lock Seed especial. E ainda na trilha dos hábitos de Gaim, o filme trás outras Rider Seeds, estas geradas a partir de cada Kamen Rider derrotado. Para juntá-las em maior número possível, o novo Kuraiyami Taishi_ cujo remake reserva uma surpresa tão grande que merece ser poupada de spoilers_ manipula uma série de confrontos dos Showa contra os Heisei, difundindo entre os veteranos intrigas de uma suposta cumplicidade da nova geração com Badan.
Aos 68 anos, Hiroshi Fujioka esteve à frente da turma de
atores originais que reviveram seus papéis do
universo Kamen Rider neste filme
Tão esperado quanto as releituras, outro encanto desses filmes de estilo Taisen é sempre a reaparição de atores que protagonizaram suas séries de origem. Dos mais antigos, Hiroshi Fujioka é, para muitos, a maior atração. Aos 68 anos, o ator lidera seu núcleo, seguido por outros dois que, pelo menos para mim pessoalmente, são merecedores de idolatria ainda mais incisiva: Ryo Hayami (como Jin Keisuke, o Kamen Rider X, de 1974) e Shun Sugata (Ryo Murasame, o ZX original).
Eu já havia comentado por mais de uma vez, aqui mesmo no blog, o quanto sou fanático pelo Shun Sugata, seja por seus atributos artísticos, seja por sua capacidade de reinventar-se na interpretação. Para mim, ele é um alter-ego sem similar na história do gênero Kamen Rider, algo que nem Fujioka, nem mesmo Tetsuo Kurata conseguiriam igualar. Até por isso, gostei muito de revê-lo no papel que, por direito, é só seu, e que o posiciona em seu espaço definitivo_ ao contrário de outras figurações rasas que ele viria a fazer em tokus após 1984, como no movie gekijouban de Janperson, por exemplo. Do elenco mais recente, retornaram ainda Kento Handa (Takumi Inui, o Kamen Rider Faiz de 2003), Ren Kiriyama (Shoutaro Hidari, o Joker de Kamen Rider W em 2009/10) e Masahiro Inoue (Kadoya Tsukasa, o Kamen Rider Decade em 2009). Com aparições mais curtas (e menos relevantes), Shuniya Shiraishi (Haruto Soma / Wizard) e Kohei Murakami (Kusaka Masato / Kaixa, que nem chega a se transformar) completam a lista dos rostos conhecidos.
Os Kamen Riders X e Faiz em batalha: afeição entre os dois
na trama evoca paradoxos similares de suas origens, de
cenários e até da inspiração de ambos na cultura grega
Aos que sempre exigem explicações plausíveis desses encontros, vale uma nota: ainda que distantes por muitos anos, os núcleos interagem bem neste filme. O bloco que envolve Keisuke Jin e Takumi Inui é um belo exemplo da eficácia dessa tentativa de interação. A afinidade entre ambos combina paradoxalmente o nome do Rider mais velho (X) com o de Kaixa (a mesma letra, porém, numa reinterpretação do alfabeto grego), cujo antigo usuário principal, Kusaka, sofreu uma morte polêmica em sua época, deixando sequelas emocionais em Takumi que se manifestam só agora. O acabamento no script de tal passagem também é primoroso. Quando Keisuke diz para Takumi "vá ver o mar", numa tentativa de confortá-lo, a frase parece perfeita para que ele se refira a relação íntima com o habitat ao qual se forjaram seus próprios poderes de Rider X. Mas, em outro plano, ele também convida Takumi a refletir sobre o momento em que viu o ex-companheiro morrer, evocando o cenário em que Kusaka se desfez em areia.
Esse modelo já deixa bem evidente como os bons conhecedores dos Showa Riders mais antigos terão de tudo paras se deliciarem com certos pontos desta produção, que ainda reconstrói os henshins com uma profundidade comovente. A manutenção dessa mesma profundidade diante das investidas tecnológicas que o tokusatsu conquistou com o tempo mostrou-se sólida, e felizmente foi correspondida.
Ao recriarem os henshins dos Riders antigos, as conquistas tecnológicas atuais foram tão pacientes quanto
conscientes, pois reconheceram a magnitude que tais momentos tinham em seus seriados de origem
É recompensador vermos como nossos atuais efeitos especiais_ sempre atrelados à velocidade_ foram pacientes para com as alterações lentas e graduais que dão o tom da emoção na transformação do Kamen Rider X, por exemplo. Keisuke Jin optou pelo grito de "Set Up!" da fase inicial do seriado de 1974 (em detrimento do posterior "Dai Henshin!"), num processo de mutação que incrivelmente ainda recuperou parte do aspecto meio-psicodélico do plano de fundo original_ ainda que em outros termos visuais. Takeshi Hongo pôde, enfim, deixar explícitos certos detalhes de sua composição de cyborg no segundo henshin que executou, enquanto que Ryo Murasame foi um pouco prejudicado pela perspectiva de filmagem, mas fez brotar novamente uma garra idêntica a que demonstrou há 30 anos atrás. Segue sendo meu favorito.
Além da perspectiva de filmagem, que citei agora, o trabalho de iluminação em alguns momentos da película está entre os poucos pontos negativos que eu destacaria aqui_ e que talvez não influencie muito para quem ainda for assistir. Mesmo se somados à fotografia (suficiente, mas abaixo da do "Super Hero Taisen" de 2012), são meros itens técnicos que perdem importância quando comparados aos demais êxitos da produção.
Destes, a área destinada à ação é, talvez, a mais beneficiada, com muitas cenas de luta que, a meu ver, superam as do próprio seriado do Kamen Rider Gaim. O uso moderado de CGI contribui muito para isso, mas o reconhecimento da natureza de cada Kamen Rider, assim como das limitações de suas habilidades originais, vai além, pois adiciona respeito à fantasia de outros tempos. Nesses casos, a tecnologia entra somente como potencializadora, e praticamente se ausenta nas batalhas de Riders como Shin e Amazon_ ambos mutantes "puros", ou seja, sem qualquer traço cibernético que dê vazão à raios, fogo ou qualquer outro efeito poderoso obrigatório nos tokus de nosso século.
O inédito TokkyuOh KyoryuJin foi a personificação
definitiva que marcou a rasa participação dos dois
mais recentes Super Sentais na guerra dos Riders
Na onda dessa ação, entraram também os dois mais recentes Super Sentais. Kyoryuger foi representado apenas por Daigo (o Kyoryu Red), enquanto que Tokkyuger surgiu com seus cinco membros principais. General Schwarz, acostumado ao reino de escuridão da Shadow Line, não poderia deixar de se afeiçoar a um mundo igualmente obscuro como o de Badan, mas a verdade é que a ponta destinada a esse gênero foi bem modesta, como já era de se esperar. Porém, o modesto aqui não rima com irrisório. A participação desses Sentais foi suficiente para gerar certos itens curiosos como o gattai do TokkyuOh KyoryuJin. Esse inédito robô gigante fez Daigo entrar no clima de seus sucessores com muita descontração. Em outra grande surpresa da fita, ele acaba pilotando uma versão trem de seu Gabutyra, numa deixa perfeita para envolver também o Kamen Rider Den-O com sua temática semelhante.
Para fechar com chave de ouro, a versão do filme com o final em que os Heisei Riders saem como vitoriosos reserva um belíssimo presente para os espectadores que, assim como eu, optarem por assisti-la. Trata-se de uma mensagem comovente que, apesar de já ter sido usada no passado em produções como "Gaoranger Vs Super Sentai", de 2001, aparece com força suficiente para que nos sintamos satisfeitos, e envoltos numa atmosfera muito positiva após quase duas horas.
O belo momento do final não poderia deixar de ser precedido por mais uma homenagem ao especial do ZX, com a execução do Rider Syndrome_ poder que os guerreiros derramaram sobre Shu, e que imita a mesma coreografia utilizada no Rider Shock, a união de forças dos dez Showa Riders, em 1984, conforme podemos comparar pela imagem ao lado. Nos créditos, uma nova versão da música "Dragon Road" (tema de ZX por Akira Kushida), repaginada eletronicamente, encerra as lembranças daquela que foi a primeira grande união de Kamen Riders_ refletida nos dias de hoje, com este filme, e ainda demonstrando ânsias de se repetir por muitas outras vezes mais no futuro.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ultraman Ginga S: continuidade e preservação histórica

A dúvida mais natural que vários tokufãs vêm demonstrando em relação à nova série Ultraman Ginga S é uma só. No caso, se ela é ou não uma continuação da anterior, Ultraman Ginga, produzida e exibida no Japão em 2013. Oficialmente, ela é tida como a segunda temporada do Ginga de 2013. Pessoalmente, a melhor resposta que eu poderia dar é que sim, ela é uma continuação. Mas uma continuação que pode ser acompanhada como novidade, pois em nenhum momento depende da trama anterior, e muito menos usa a conclusão da mesma como ponto de partida para desenvolver sua própria história.
As bases de continuidade entre Ginga e Ginga S são muito mais reais do que certas "sequências" que, para mim, não passam de falsos mitos_ como, por exemplo, Sun Vulcan para Denjiman. Ao invés de se apoiar apenas em fatos irrelevantes ou em lembranças rasas, Ginga S faz com que o espectador (e não a especulação) seja o verdadeiro beneficiário do que é sequência, pois aquele que conhecer ao menos um pouco do Ginga anterior irá dispor de um trunfo a mais para viajar por esta nova história.
A composição da UPG (Ultra Party Guardians):
reaproveitamento consciente de personagens no
retorno à tradição dos Esquadrões de Apoio
Dentro desse debate, o reaproveitamento de certos personagens do seriado passado é o maior de todos os atrativos. A começar por Hikaru Raido, que à exemplo de Issamu Minami nos anos 80, lutará por mais uma temporada, de novo como hospedeiro de seu Ultraman Ginga. Vale notar que, pelo ponto de vista do próprio Hikaru, essa etapa nada mais é do que uma nova aventura para alguém que_ tal como ele_ ambiciona viver a rotina de um aventureiro sem limites, sempre percorrendo diferentes mundos e encarando os mais diversos desafios. Junto com o antigo protagonista retornou_ ainda nos episódios iniciais_ Ichijoji Tomoya. O ex-rival de Hikaru, que se notabilizou em 2013 por ter controlado Jean Killer, reaparece aqui como um dos cérebros da UPG (Ultra Party Guardians), uma equipe de inteligência bélica que resgata a grande tradição do gênero aos Ultra Esquadrões de Apoio. Este esquadrão (cujos membros lutarão sem os habituais capacetes) trás em suas fileiras boa parte dos novos personagens, como o Comandante Jinno Yoshiaki e os soldados Gouki Matsumoto e Arisa Sugita_ esta, postulante mais forte a heroína da série. Inesperadamente, Hikaru logo se une à eles, após comover o Comandante Jinno com sua demonstração de coragem ao enfrentar um Kaiju mesmo sem seus poderes de Ginga_ que só retornam mais adiante.
O novo Ultraman Victory (à esquerda) enfrentará um vilão em potencial,
cuja subordinada é a forte 
One Zero (no centro, acima). Mas o maior 
desafio de Sho (no centro inferior, de preto) será fazer valer a vida de
seu povo Victorian, à sombra de seu senpai Ultraman Ginga (à direita)
A adesão de Hikaru à UPG serve para exemplificar bem a habilidade com que os produtores responsáveis pelo elenco estão trabalhando nesta série. Tanto ele quanto Ichijoji podem não ser os únicos a retornar da trama do ano passado, mas só eles já provam como os personagens de Ginga estão sendo reaproveitados de modo consciente, e não de qualquer forma_ algo que, pelo que sei, nenhum outro gênero atual foi capaz de fazer em séries até o momento.
A interação deles com os personagens recém-chegados é outro ponto importante. Se antes era protagonista indiscutível, desta vez Hikaru é quase um coadjuvante, visto que este seriado girará em torno de Sho, o Ultraman Victory. Ambos lutarão contra um único vilão em potencial_ no caso, Chibu Exceller, que terá o apoio fiel de sua subordinada One Zero nas batalhas campais_, num confronto que carregará alguns costumes herdados do Ginga de 2013. Nesse ponto, o espectador antigo novamente sairá lucrando, e se deliciará perguntando a si mesmo aonde One Zero conseguiu uma Spark Doll que lhe dá poderes de se hospedar em conhecidos monstros do Universo Ultra.
Um dos exemplares da Pedra Victorium, o cristal que Sho
deve proteger: aparições por todos os cantos do mundo
Também muito semelhante à Ginga Spark é o Victory Lancer, Ultra Condutor dos poderes de Victory, confiados a Sho pela Rainha da Civilização Victorian. A meta é proteger a Pedra Victorium das ambições de Exceller, pois o cristal, tido como a fonte de vida daquele povo, está agora misteriosamente relacionado a nosso planeta. Exemplares estão sendo encontrados por todo o mundo e, segundo apurou a UPG, até na composição dos Kaijus inimigos controlados por One Zero. Surgindo apenas temporariamente através de um vácuo no céu, a aparição dos cristais indica a hora e o momento em que Ultraman Victory deve entrar em ação, para fazer valer a vida de seu povo, a despeito da compreensão (ou da incompreensão) dos terráqueos.

Um início promissor
Até o dia em que comecei a escrever esta matéria, só haviam dois episódios de Ultraman Ginga S disponíveis aos fãs. Cedo, portanto, para afirmar se a civilização da qual Sho faz parte é outro planeta ou apenas uma dimensão paralela. Mas o fato é que o núcleo do herói é um dos mais interessantes, justamente por ter um certo clima místico que pode vir a ser um diferencial, talvez ainda mais incisivo que o do resgate à certos itens da identidade básica do gênero Ultra que, na visão de alguns fãs, estiveram ausentes em 2013. Neste caso, a mística pode, por exemplo, compensar a falta da simplicidade cativante que havia num Ultraseven, e que é inapelável para os recursos de hoje. Ou ainda, garantir a manutenção de uma certa atmosfera de mistério, mesmo numa época em que a tecnologia cria o impossível com facilidade, deixando tudo claro e explícito para o espectador.
O protagonista Sho (no destaque) e seu núcleo (no quadro
superior direito), cujo clima místico pode ser um diferencial
para o seriado. Já o núcleo dos vilões (logo abaixo) é o que
melhor exemplifica o nível tecnológico atual
Não obstante, é o núcleo dos vilões o que mais deixa transparecer o nível atual dessa tecnologia, e num grau muito maior até do que tudo que se viu nos efeitos especiais da última temporada. O interior da nave de Exceller é um modelo disso, com uma estrutura de itens translúcidos em LED que fazem um excelente eco visual com a própria imagem do vilão, manuseada através de processos gráficos.
As cenas de luta também estão fazendo um uso maior do CGI em relação ao ano passado, mas nada que assuste os Ultrafãs assíduos. De acordo com Marcos Lima_ colaborador na Fan Page do Henshin World no Facebook, onde é responsável pelo gênero Ultraman, entre outros_, a ação em Ultraman Ginga S é tão frequente que chega a relembrar, nesse quesito, séries como Ultraman Leo. Marcos notou ainda que os Chiburoids controlados por One Zero trazem certa semelhança com os soldados rasos vistos desde sempre nos Super Sentais, o que pode servir como atrativo extra para quem goste de ambas as franquias. E, no meu ponto de vista pessoal, a aposta nesse tipo de ação já começou a dar frutos, pois a luta de Arisa contra One Zero e seus comandados foi um dos melhores momentos desse início promissor.

O poder da manipulação
Arisa luta no segundo episódio: ritmo frenético de ação em
Ginga S compartilha até elementos dos Super Sentais
Se o núcleo dos vilões se destaca pelo potencial visual e o de Sho pelo clima místico, o núcleo da UPG, ao mesmo tempo que encaixa bem Hikaru e Ichijoji, fica como o ponto de ligação da trama com os hábitos e os costumes atuais_ ainda que ele mesmo seja expoente da mais antiga memória dos seriados Ultraman. A base do esquadrão é toda cheia de projeções em hologramas, ao melhor estilo Gobusters, e compete com o espaço de Exceller em termos de fantasia. Acredito ainda que cenas de luta como a que Arisa protagonizou podem ser fundamentais para dar valor a esse núcleo pois, como podemos perceber pelas descrições que fiz, a concorrência com os demais é grande, e mesmo a membra da UPG poderia ter seu posto de heroína disputado por Sakuya_ irmã de Sho, ao lado do garoto Repi.
Sho em companhia de seus irmãos Repi e Sakuya:
proximidade com o protagonista faz a menina disputar
com Arisa o título de heroína da série
A diversidade de núcleos pode até ser uma vantagem em potencial com relação à temporada que o Ginga teve em 2013. Mas, como um todo, me parece bem mais difícil afirmar se Ginga S é de fato superior. Ainda que o retorno à algumas das melhores tradições tenha caído como uma luva ao gosto dos Ultrafãs preocupados com a preservação da identidade da marca, cada trama aspira por sua magia em particular. Em 2013, a maioria das lutas do Ultraman Ginga só ocorriam pelo fato de pessoas comuns terem seus sonhos manipulados por um vilão que, indiretamente, não agia por conta própria. Neste ano, o principal poder do novo Ultraman Victory surge como um contraponto na medida exata para isso, já que o Ultrans manipula parte das habilidades de um Kaiju e as transfere, na forma de força e alterações físicas, para o próprio guerreiro.
O poder de manipulação de Ultraman Victory (no destaque)
transcende suas próprias capacidades. À sua maneira, ainda
segue a linha inovadora estabelecida pelo antecessor,
Ultraman Ginga (de costas nesta imagem)
Diante disso, até as capacidades natas de Victory_ como os golpes Victorium Slash e Victorium Shoot_ parecem menores. E mesmo o controle que Sho desempenhou sobre Shepardon, no duelo contra X_Red King_ abrindo a ação principal da série com uma luta entre Kaijus, tal como em 2013_ nos faz questionar até onde vai a autoridade que o protagonista exercerá sobre esses monstros. Na trilha de Ginga, eles próprios continuam sendo revisitados, a se notar pelo meu favorito, Eleking, renascido de Ultraseven para servir de obstáculo aos heróis já no segundo episódio.
Toda essa soma de valores faz com que Ginga S, mais do que uma mera continuação de Ginga, seja encarado como um complemento do seriado anterior. Cabe agora a cada Ultrafã aproveitar o desenrolar dessa produção que, ao mesmo tempo que resgata, inova.