quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A força da nova geração tokufã - Uma entrevista com Vinicius Ramos

Nada como uma bela parceria para começarmos mais um ano de postagens neste nosso blog. Quebrando o maior intervalo que já tivemos por aqui nos últimos tempos, entre uma publicação e outra, essa parceria ainda retoma nosso quadro de entrevistas. Desta vez, eu conversei com ninguém menos que o Vinicius Ramos_ membro bastante conhecido e querido na comunidade tokufã. Atualmente fazendo parte da equipe do Blog Toku Force, Vinicius também teve uma brilhante passagem pelo site Tokusatsu Brasil_ mídia em que eu mesmo cheguei a colaborar, e onde trabalhamos juntos por alguns meses, no início de 2014.
Não deixa de ser uma curiosidade a forma como escolhi Vinicius para dar sequência a esta seção. Forma meses de dúvida, diante da grande quantidade de colegas que conheço, e que certamente teriam muita coisa interessante para dizer. Mas, levando em consideração a continuidade que a seção necessitava, em determinado momento me pareceu bem evidente a vantagem do Vinicius sobre os demais. E o fato dele pertencer a uma geração de fãs posterior à da maioria de nós pesou muito nisso.
Já entrou para o fabulário tokufã o dia em que eu, num misto de satisfação, convicção e alívio pela minha decisão imediata procurei Vinicius em particular e o confidenciei: "O próximo precisa ser você. Conto contigo para isso". Felizmente, nosso amigo correspondeu não apenas a mim, mas à todos que agora poderão usufruir de novas revelações deste que é um dos fãs de tokusatsu mais importantes da atualidade_ seja por sua atividade cada vez mais intensa, seja por sua projeção cada vez mais definida.
Logo após a recente entrevista que Vinicius cedeu aos parceiros do Toku Force, poucos de nós aguardariam pela joia que segue, repercutida em suas palavras. Em diversos momentos, suas falas parecem apontar o futuro do tokusatsu como hobby no Brasil. Algo que ultrapassa as tradicionais rivalidades que existem atualmente, sugerindo até uma extinção dos poucos males que ainda sobrevivem no nosso meio. E como veremos ainda por todo o restante do material, a participação que Vinicius nos concede aqui, mais do que oportuna, abre espaço também para que outros possíveis entrevistados do blog, que ainda virão, levem isto como uma grande referência.
Para mim, como entrevistador, o momento mais empolgante da entrevista presente (superando o sacrifício que foi escolher apenas um, para exemplificar aqui) é quando Vinicius nos revela que já refletiu muito sobre a Geração Manchete_ a mesma a que vários de nós pertence_, tentando imaginar "como seria aquela época, com tanto conteúdo ótimo na televisão brasileira" aberta. Só com uma frase dessas, eu, como testemunha que fui daquele tempo, não apenas me recordei como passei a valorizar, ainda mais substancialmente, aqueles momentos mágicos em que havia apenas a televisão como veículo para nos levar até os tokus. Momentos aqueles que sempre acompanhavam um êxtase radiante de criança, e muitas vezes também a surpresa pelo que, para nós, era o "novo".
Mesmo privado dessas emoções, por sua pouca idade, Vinicius nos revela aqui que seu próprio caminho de tokufã possui todo o potencial necessário para garantir a ele emoções que, se não são idênticas as que citei, só podem ser ainda maiores. E manda até um singular recado para todos os administradores de mídias tokusatsu dos dias de hoje, deixando bem clara nossa responsabilidade em trabalhar para todos_ e não apenas para nós mesmos, seja em qual for o espaço.

1- Certa vez, quando a gente conversou pessoalmente, você me disse ser um grande fã de games com temática de tokus. Agora, para começarmos a entrevista bem leve, qual foi o game mais marcante de toku que você teve a oportunidade de jogar até hoje?
Então, o jogo de tokusatsu mais marcante que joguei foram na realidade três: "Kamen Rider Seigi No Keifu" (para Playstation 2), "Kaizoku Sentai Gokaiger - Atsumete Henshin 35 Sentais" (para Nintendo DS) e o "Uchuu Keiji Tamashi" (também para Playstation 2). São ótimos jogos, além de serem bem divertidos. Eles têm um estilo único, que leva crianças e adultos a gostarem facilmente deles. Mas, desses três, o que me chama mais a atenção é o jogo "Kamen Rider Seigi No Keifu", porque o estilo desse jogo se baseia bastante no "Resident Evil" (um clássico). É um jogo onde você controla Kamen Rider Ichigo, Kamen Rider V3, Kamen Rider Black e Kamen Rider Agito. Mas o legal mesmo é que, quando você joga com um desses Riders, você vai modificando o futuro de cada personagem. Por exemplo: se eu jogo com o Agito, isso eventualmente afetará a história dos demais protagonistas_ assim é o jogo. Para quem tem PS2, jogue esse jogo, que é ótimo.

2- Existe algum outro game desse tema que você ainda não jogou, mas vê como seu sonho de consumo? Conte-nos um pouco sobre esse game.
Sim, existe um jogo que não joguei, mas ele não é da franquia dos Kamen Riders, e sim da Kyodai Hero. Estou falando do "Robô Gigante". É um jogo de Playstation 2 que eu ainda não tive a oportunidade de jogar, pois nem na Internet consegui achar a ISO (para quem não sabe, ISO é o nome que se dá quando se extrai um jogo do DVD). O jogo é baseado no mangá.  Ressaltando um ponto importante deste jogo é que você não controla o Robô Gigante, e sim o garoto (se não me engano, o nome dele é Daisaku... não sei bem o nome dele, pois não assisti a série). Com os comandos "X", triângulo, quadrado e bolinha você vai dando golpes, e pode fazer também combinações de golpes. Também existem comandos para você falar com o Robô Gigante, como na série_ falar para ele desviar, atacar, etc. Tenho uma vontade imensa de jogar esse.
3- Outra grande paixão sua, que você também revelou para mim conversando: JAKQ Dengeki Tai, série Sentai de 1977. Quais são as qualidades desse seriado que mais te atraem?
Por incrível que pareça, o que mais me atrai em JAKQ são as lutas. Quando você assiste JAKQ, do começo até o meio da série_ ou até bem antes do meio_, as cenas de luta ainda não estão muito bem sincronizadas, e são cenas bem curtas, pois se priorizava mais a história e o drama. Mas depois disso, a série toma um ar totalmente diferente, ganha boas lutas_ tanto que há algumas que deixam você de boca aberta. Além do mais, as lutas contra os soldados rasos são muito mais empolgantes do que contra o monstro do episódio.
Outro ponto legal também de JAKQ é que os vilões da série não são tão bobos assim. Eles criam ótimas armadilhas contra os heróis, e você fica naquela torcida de que tudo vai dar certo, ainda que nem sempre seja assim. Na maioria das vezes os JAKQ se ferram, e isso é o que mais acontece nos capítulos finais da série.

4- Muitos fãs brasileiros de Super Sentais ainda não tiveram, até o dia de hoje, a oportunidade que você teve de assistir JAKQ até o fim. Eu, pessoalmente, só vi o episódio 01, e já achei bastante inovador, mesmo para os moldes de nossos dias: uma equipe de cyborgs, que também pode ser vista como o único esquadrão já composto por pessoas falecidas, na formação inicial. E o restante da série Vinicius, tem ainda mais surpresas do que tudo isso que eu citei agora?
Sim, tem mais surpresas. As surpresas acontecem no momento certo da série, dando aquele levantada no clima, pois JAKQ é uma série com um ritmo lento (como é na maioria dos tokus dos anos 70), que, como falei anteriormente, dá prioridade ao drama e a sua história. A série no geral é bem cansativa, mas sempre há surpresas nos episódios, que te dão condições de te deixar preso, assistindo a série até o final.
Não vou contar as surpresas, senão perde a graça, rs! Ainda tenho a esperança de ver algum Fansub legendar está série e, se fosse do meu alcance, eu iria me dispor a ajudar de alguma forma.

5- Falemos um pouco sobre nossos colegas. Quando você visita uma mídia de toku (seja blog, Fan Page ou outras), quais são suas expectativas, que tipo de coisa bacana você espera encontrar nelas?
Sempre tenho a expectativa de me atualizar neste universo, de aprender muitas coisas, seja a mídia uma Fan Page ou um blog, como você disse. Apesar de eu ter apenas 17 anos, na maioria dessas mídias sempre tento aprender a respeitar tanto os tokus clássicos como os atuais_ seja através de matérias, análises ou curiosidades. Isso me ajuda muito quando vou fazer uma matéria sobre alguma série, mesmo que o conteúdo seja pouco. E também sempre falo com o pessoal que vejo como mais experiente no assunto.

6- Depois de ter trabalhado um tempo no Tokusatsu Brasil, hoje você faz parte da equipe de um de meus blogs favoritos, o Blog Toku Force. O review sobre JAKQ que você fez por lá foi muito marcante para mim, enquanto leitor. Me impressionou muito essa matéria, não só pelo seu texto, mas também pela sua edição de imagens, que eu achei impecável, condizente com a leitura e muito bem estruturada. Agora a pergunta: para fazer aquela maravilha toda, você acha que sua experiência anterior no Tokusatsu Brasil contribuiu para que você atingisse aquele nível, ou você já foi chegando, só no improviso, esfregando as mãos com aquela vontade toda e dizendo "deixa comigo!"?
Para falar a verdade não, foi tudo improvisado mesmo. Tive força de vontade em fazer a coisa e deu no que deu, rs! A experiência que tive no Tokusatsu Brasil me ajudou bastante em um certo ponto_ que foi o da edição de imagens. Não sou mero profissional em editar imagens, mas aprendi a me virar.
Falando um pouco sobre o review de JAKQ em si, eu coloquei lá todo o meu conhecimento sobre a série. Tive a ideia de fazer aquela matéria através de uma que você fez sobre o Sharivan. Daí, como eu estava assistindo JAKQ e nunca vi nenhum blog falar muito a respeito daquela série, resolvi então fazer uma análise que fosse o mais completa possível. Foi difícil reunir o conteúdo, tive que me basear mais naquilo que assisti do que naquilo que encontrei na Internet, mas no final deu tudo certo.

7- Bom, por tudo o que você já demonstrou na Tokunet_ seja fazendo suas matérias, seja nos presenteando com sua amizade_, não dá para negar que você tem mesmo muita força de vontade em querer fazer sua parte pelo tokusatsu, e demonstra também muito desejo de conquistar ainda mais amigos através dela. De onde vem todo esse fôlego?
Este fôlego vem de querer sempre estar com amigos que realmente gostam do assunto, e que sempre ajudam a divulgar o tokusatsu. Sempre tento procurar ajudar ao máximo os meus amigos quando possível, e mesmo não conseguindo ajudá-los, tento de alguma outra forma dar minha força. Enfim... minha maior alegria é ver que este meu "fôlego" chega até as pessoas, e que estas mesmas pessoas possam gostar dele, depois transmitindo o "fôlego" delas para outras. Isso me deixa muito feliz, e fico mais feliz ainda que o tokusatsu esteja relacionado a tudo isto.

8- Ainda falando no Blog Toku Force. Estou aqui com uma cópia da entrevista que você concedeu por lá, para o nosso Admilton Ribeiro. Nela, você contou um pouco sobre suas primeiras experiências com os tokus, que incluem sua fascinação por Changeman_ um mito para os tokufãs da minha geração. Já você Vinicius, é um tokufã bem novinho, e mesmo assim parece interagir conosco sempre à vontade, e exibe um conhecimento similar_ por vezes, também superior_ aos dos mais experimentados. Como você definiria a recepção por parte do pessoal tokufã mais velho_ acredito eu, a maioria_ para com você?
A recepção é um pouco engraçada e divertida. A maioria do pessoal pensa que sou mais velho, e ficam contando sobre a infância deles, quando assistiam os tokus que passaram por aqui. Daí, eu simplesmente fico imaginando: "como seria aquela época, com tanto conteúdo ótimo na televisão brasileira?".
Até que eu tive a sorte de assistir bons programas na televisão_ e por muitos anos. Mas sempre falo ao pessoal que tenho apenas 17 anos, e todos ficam muito surpresos (é obvio). Mas é super legal conversar com o tokufã mais velho, que me ensina mais sobre o tokusatsu, e é bom também saber que eu posso ensinar a eles o pouco que sei sobre os tokus.

9- Para a gente terminar, eu quero deixar aqui o meu recado pessoal para você, antes da pergunta final. Para mim, Vinicius, é motivo de muita emoção saber que temos alguém tão novo de idade (17 anos, na data de hoje) ente nós, tokufãs. Sinto uma satisfação maior ainda em saber que esse cara é justamente você, que usa toda a força de sua juventude em prol da preservação de uma amizade bacana conosco. Acho que você tem de tudo para liderar, encabeçar uma nova geração de tokufãs num futuro próximo. Agora, no presente, enquanto você tem eu e os outros colegas ao seu redor para interagir (cada qual com suas mídias), como que você acha que o Henshin World, meu site, e os sites dos demais poderiam estar contribuindo para manter a atual paixão que você tem pelo tokusatsu?
Henshin World e outros blogs de tokusatsu que acompanho contribuem me ajudando a manter uma visão ampla daquilo que é o tokusatsu. Tokusatsu não é só uma simples série, que serve apenas para vender brinquedo. Tokusatsu reflete o respeito ao próximo, a amizade, a emoção, a dedicação e o amor, e são esses quesitos que eu sempre quero guardar comigo.
Respeitar a todos. É isso que o tokusatsu quer ensinar ao telespectador. Quando eu leio matérias de tokusatsu no Henshin World, vejo sempre a sinceridade e a crítica que não afeta ao próximo. Um trabalho singelo, de um verdadeiro tokufã, que quer ter sua opinião entendida e compreendida por todos.
10- Legal demais conversar contigo por aqui. Deixemos para todos mais este documento à favor do tokusatsu.
Quero agradecer a você meu parceiro, meu irmão, Goggle Red, é muito prazeroso conversar com você, e obrigado por me dar esta oportunidade que você me concedeu agora, desta entrevista comigo. E quero também parabeniza-lo, pelo seu conteúdo e pela sua dedicação ao tokusatsu. Como não tive a oportunidade de dizer isso para você antes, posso dizer agora_ através desta entrevista_ que você é uma das minhas fontes de inspiração, pela pessoa que você é. Que este blog seja de muito exemplo para todos que querem começar a escrever, e que nunca deixem de acompanhar o blog e a Fan Page Henshin World.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Top Five: episódios inesquecíveis de Maskman

Acredito que alguns de nossos leitores habituais, acostumados com a rotina editorial daqui do blog devem estar um pouco surpresos com o teor desta postagem. Relembrar Maskman na época do ano em que estamos soa como ousadia até para mim mesmo. Sei bem como todas as atenções ainda estão voltadas para a estreia recente que Kamen Rider Drive teve, e como tal assunto deveria figurar não apenas no status já publicado em nossa Fan Page, mas também por aqui_ pelo menos, para corresponder às estruturas que esta mídia já tem.
Mas não foram poucos os motivos que me fizeram, se não ignorar, adiar um post sobre o novo Rider. O primeiro deles foi uma conversa recente que tive com o amigo Clock Up (meu parceiro pessoal nos lançamentos de Sukeban Deka I, projeto que mantenho junto ao blog Rampage Subs). Comentando sobre meu período de trabalho por aqui, ele simplesmente adivinhou minhas intenções de lançar algum artigo sobre o Drive_ algo que, provavelmente, outros de nossos seguidores também tenham imaginado.
Portanto, para fugir dessa previsibilidade, driblar minha baixa empolgação (confessada agora) pela estreia e, principalmente, para não focar o mesmo gênero em duas matérias seguidas, a opção por Maskman me pareceu mesmo a mais viável. E as razões que encontrei para destacar os defensores da luz no quinto Top Five de nosso blog foram ainda mais numerosas do que as que me fizeram relegar o novo Kamen Rider.
Acima de tudo, vale citar que Maskman é o meu verdadeiro Super Sentai preferido, dentre todos. Muito acima do que sugerem as aparências de meus perfis na Tokunet (ou a suposição de terceiros), ele é um seriado com um notável valor afetivo para mim. Essa minha relação com Maskman ainda se confunde com a própria história do Henshin World e seu renascimento_ cujo aniversário de três anos acontecerá no mês que vem. Destacar o esquadrão numa publicação deste nível não deixa de ser uma maneira de anteciparmos as comemorações_ e uma alternativa aos chatos textos em primeira pessoa que eu nunca escapo de lançar a cada 18 de novembro.
De certa forma, Maskman já havia figurado em outro Top Five por aqui_ o primeiro, em que o Chefe Sugata representou-o como meu segundo favorito comandante de Super Sentais. Ainda mais marcante para mim dentro daquela equipe é Akira, o Blue Mask. De longe, ele é o guerreiro com o qual eu mais simpatizo, somando-se todos que já foram apresentados pelo gênero. Em Maskman, cada membro possuía um estilo de luta diferente do outro, mas todos só se complementavam diante de uma canalização satisfatória do Aura Power_ a aura de energia que existe, inerentemente, dentro de cada ser humano.
O tema inovador garantiu uma grande quantidade de episódios intensos, sedutores, e com uma ampla gama de mensagens bonitas. Esta seleção de cinco deles trás como meta aflorar a nostalgia dos que já os viram (e talvez se esqueceram) e também incentivar, como sempre, a criação de novos públicos.

Posição 5: Episódio 25-"O amor de Akira"_ Desde muitos episódios antes deste, Akira já havia me conquistado. No primeiro que protagonizou ("O pequeno espadachim Blue"), o garoto demonstrou o alcance de sua simplicidade. Já nesta aventura, sua disposição para encarar grandes dificuldades deixou explícito o apego amoroso e avassalador de um filho para com sua mãe.
Não há no mundo sentimento mais forte, recíproco e recompensador, é o pensamento que nos vem, assim que é revelado o motivo pelo qual Akira arriscou sua vida no obscuro "Torneio Internacional da Arte Militar". Suas palavras resumem o conteúdo de seu coração: "minha verdadeira arte é limpar o corpo e treinar a alma".

Posição 4: Episódio 20-"A cilada"_ Primeiro episódio de um arco de três, que culminou no surgimento do Land Galaxy / Galaxy Robo. Nele, Anagoumas usa sua experiência de 340 anos de vida para dar início a um plano diabólico cujo alvo foi Pink Mask. A queda da guerreira diante do inimigo nesta aventura escancarou a união completa do grupo como fator primordial de sua força.
Ainda sem desconfiar de nada, Momoko fez um pacto consigo mesma de não se transformar na luta contra Dokurodogla. Diante de seus alunos de dojo, buscou honrar a palavra de acreditar apenas nas próprias capacidades. Cedeu à transformação só muito mais tarde, após o pedido de Red Mask. Por causa disso, apanhou como nenhuma outra guerreira Pink na história dos Super Sentais, mas demonstrou_ também como nenhuma outra_ o valor da lealdade para com os demais à sua volta.

Posição 3: Episódio 36-"As gêmeas"_ Um dos grandes valores do tokusatsu é a capacidade que suas histórias têm em tocar nosso íntimo, nosso sentimental. Mesmo quando tais histórias não nos alcançam dessa forma, fica evidente como as mesmas são criadas, desde o início, para que busquem pelo seu "espectador ideal". O drama vivido pelas irmãs Eriko e Mariko conseguiu atingir uma parte importante que há desde sempre em meu âmago pessoal.
A dependência em estar próximo de alguém que consideramos essencial em todos os momentos de nosso dia a dia foi representada aqui com perfeição_ ainda que simbolicamente_, através da energia destrutiva que cada gêmea manifestava, tão logo uma entrasse em desespero pela ausência da outra. Ainda que não explicitado, ficou claro neste episódio que tal desespero não se resumia ao afastamento temporário das irmãs, mas sim à falta de uma perspectiva para que elas se encontrassem. Nem Eriko nem Mariko sabiam quando estariam juntas novamente. E o fato de cada menina ter o rosto coberto por uma das faces assustadoras do monstro Nimendogla conseguiu expressar ainda a situação emocional de ambas_ caminhando às cegas, em meio ao caos, sem conseguir enxergar o fim de seus sofrimentos, nem de seus temores.

Posição 2: Episódio 09-"A aura da vida"_ Se afastar da temática espacial de seus antecessores foi, a meu ver, um dos grandes acertos de Maskman para que ele se conectasse de forma mais condizente com a estética visual de seu tempo (1987). Na única vez em que flertou com o tema, porém, o êxito foi imenso. Primeiro, porque soube combinar o mote espacial (uma mania da época) ao da importância vital da aura_ previamente definido para acompanhar a trama. Segundo, pelas preciosas brechas que abriu através das falas da alienígena Lola, para difundir mensagens tocantes ao extremo. A inocência da menina do Planeta M15, que chegou à Terra atraída pela aura de Takeru, carregava aquela típica simplicidade arrasadora. Suas constatações, tão singelas e até infantis, estão na frente de cada um de nós há séculos. Mesmo assim, nossa incapacidade de lidar com os problemas do planeta só evidencia, mais e mais, o quanto somos limitados enquanto "humanos desenvolvidos".
Lola ficou maravilhada com o fato da Terra possuir água_ com razão, sendo que isso é um diferencial e tanto diante de outros universos que temos conhecimentos hoje, com suas paisagens áridas, rochosas e desérticas. Ao tomar conhecimento das intenções do Império Tube, disse não conseguir compreender como poderia "haver guerra num planeta tão bonito" (!). Além de sua forte aura, Lola emanava ainda uma energia auto-defensiva derivada dela, que chegou mesmo a salvar Red Mask.

Posição 1: Episódio 10-"Igan contra Red Mask"_ Um único trecho deste episódio, com uma narrativa de Takeru, já se mostrou mais que suficiente para galgar o topo de nosso pódio hoje. Tal trecho se encontra selecionado num dos vídeos de meu canal no Dailymotion, e contém aquela que foi, provavelmente, a mais bela história contada dentro de um episódio de Super Sentai em todos os tempos.
Ainda que não seja meu comandante favorito no gênero (unicamente por ter se retraído diante da ameaça de Igan no episódio 40, "A melodia"), Chefe Sugata me comoveu como nenhum outro através de seu método de seleção para o posto de Red Mask. Tão logo reconheceu o sentimento de gentileza em Takeru, começou a testar sua resistência física e mental, num plano que, de tão ousado, ultrapassou todos os limites éticos e racionais do comandante. O desespero por salvar a superfície da Terra da iminente ameaça de Tube era, naquele momento, muito mais importante para ele do que a mera preservação de sua sanidade. Ter reconhecido isso, ainda que indiretamente, soma muitos pontos a favor do Chefe Sugata, e nos remete, pela via inversa, àquele famoso (e intenso) trecho bíblico: "A sabedoria dos homens é loucura aos olhos de Deus".
De tão bonita e recompensadora, a loucura de Sugata foi herdada por seu discípulo mais íntimo, que "com o espírito preparado" pôs sua vida em risco diante deste desafio proposto por Igan, sem hesitar em nenhum momento sequer.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Crítica do "Heisei Rider Vs Showa Rider: Kamen Rider Taisen"

A influência de duas grandes gerações que percorreu décadas, numa guerra além dos limites da vida e da morte. Essa é a proposta nada modesta do "Heisei Rider Vs Showa Rider: Kamen Rider Taisen", filme que ganhou suas primeiras cópias legendadas pelos nossos fansubs recentemente. A produção também pode ser vista como uma grande homenagem ao épico movie do Kamen Rider ZX, de 1984_ o primeiro a ter reunido todos os Riders de então em suas fileiras para confrontar o Império Badan, numa história captada aqui como referência principal.
Ao narrarmos a sinopse de "Showa Vs Heisei", os parênteses de comparação com a trama do ZX são tão frequentes quanto inevitáveis. Até por isso, o especial de 30 anos atrás entra como uma sugestão obrigatória a quem quiser acompanhar este longa, pois é uma prévia que adiciona muito na compreensão e no reconhecimento de certos costumes. A começar pelo núcleo de Badan, que de Império Subterrâneo é promovido a passagem para o Mundo dos Mortos. Sua ambição em tocar adiante o chamado "Mega Plano de Inversão", trocando o universo dos vivos pelo dos finados, é algo próximo do discurso de Kuraiyami Taishi nos anos 80, que almejava causar alterações dimensionais em nosso mundo. Mesmo a gigantesca máquina com a qual os vilões planejavam reverter o posto da humanidade é claramente baseada numa semelhante do movie antigo que, para quem viu e não lembra, deveria ser acionada por um combustível conhecido como Badanium 84, "substituído" na trama deste ano pelo potencial do garoto Shu Aoi.
Ren Aoi se transforma no novo Fifhteen, Rider cuja
capacidade de adquirir diferentes Armored Forms (como a
do Gaim de Kouta Kazuraba) colocam-no no centro de uma
aposta desesperada pela vida de seu filho Shu
Falecido após desiludir-se com sua mãe, o garoto vaga pelos mundos dos Heisei Riders como um morto-vivo, que só nessa condição descobre sua aptidão para viajar através de espaços físicos. Na vontade desenfreada de reviver o filho, Ren Aoi_ o pai de Shu_ assume-se como o Kamen Rider Fifhteen para ser o braço forte de Badan, ao lado de monstros históricos como o Tiger Roid. Inédito, Fifhteen é um Rider que se auto-define portador do poder dos 15 principais antecessores desta era. De fato, sua força se mostra notável nas lutas, mas não tanto quanto sua capacidade de adotar diferentes Armored Forms dos demais Heisei_ todas com um encaixe no mesmo estilo dos guerreiros da série atual, Kamen Rider Gaim. Tal habilidade de Fifhteen é alcançada em virtude de uma Lock Seed especial. E ainda na trilha dos hábitos de Gaim, o filme trás outras Rider Seeds, estas geradas a partir de cada Kamen Rider derrotado. Para juntá-las em maior número possível, o novo Kuraiyami Taishi_ cujo remake reserva uma surpresa tão grande que merece ser poupada de spoilers_ manipula uma série de confrontos dos Showa contra os Heisei, difundindo entre os veteranos intrigas de uma suposta cumplicidade da nova geração com Badan.
Aos 68 anos, Hiroshi Fujioka esteve à frente da turma de
atores originais que reviveram seus papéis do
universo Kamen Rider neste filme
Tão esperado quanto as releituras, outro encanto desses filmes de estilo Taisen é sempre a reaparição de atores que protagonizaram suas séries de origem. Dos mais antigos, Hiroshi Fujioka é, para muitos, a maior atração. Aos 68 anos, o ator lidera seu núcleo, seguido por outros dois que, pelo menos para mim pessoalmente, são merecedores de idolatria ainda mais incisiva: Ryo Hayami (como Jin Keisuke, o Kamen Rider X, de 1974) e Shun Sugata (Ryo Murasame, o ZX original).
Eu já havia comentado por mais de uma vez, aqui mesmo no blog, o quanto sou fanático pelo Shun Sugata, seja por seus atributos artísticos, seja por sua capacidade de reinventar-se na interpretação. Para mim, ele é um alter-ego sem similar na história do gênero Kamen Rider, algo que nem Fujioka, nem mesmo Tetsuo Kurata conseguiriam igualar. Até por isso, gostei muito de revê-lo no papel que, por direito, é só seu, e que o posiciona em seu espaço definitivo_ ao contrário de outras figurações rasas que ele viria a fazer em tokus após 1984, como no movie gekijouban de Janperson, por exemplo. Do elenco mais recente, retornaram ainda Kento Handa (Takumi Inui, o Kamen Rider Faiz de 2003), Ren Kiriyama (Shoutaro Hidari, o Joker de Kamen Rider W em 2009/10) e Masahiro Inoue (Kadoya Tsukasa, o Kamen Rider Decade em 2009). Com aparições mais curtas (e menos relevantes), Shuniya Shiraishi (Haruto Soma / Wizard) e Kohei Murakami (Kusaka Masato / Kaixa, que nem chega a se transformar) completam a lista dos rostos conhecidos.
Os Kamen Riders X e Faiz em batalha: afeição entre os dois
na trama evoca paradoxos similares de suas origens, de
cenários e até da inspiração de ambos na cultura grega
Aos que sempre exigem explicações plausíveis desses encontros, vale uma nota: ainda que distantes por muitos anos, os núcleos interagem bem neste filme. O bloco que envolve Keisuke Jin e Takumi Inui é um belo exemplo da eficácia dessa tentativa de interação. A afinidade entre ambos combina paradoxalmente o nome do Rider mais velho (X) com o de Kaixa (a mesma letra, porém, numa reinterpretação do alfabeto grego), cujo antigo usuário principal, Kusaka, sofreu uma morte polêmica em sua época, deixando sequelas emocionais em Takumi que se manifestam só agora. O acabamento no script de tal passagem também é primoroso. Quando Keisuke diz para Takumi "vá ver o mar", numa tentativa de confortá-lo, a frase parece perfeita para que ele se refira a relação íntima com o habitat ao qual se forjaram seus próprios poderes de Rider X. Mas, em outro plano, ele também convida Takumi a refletir sobre o momento em que viu o ex-companheiro morrer, evocando o cenário em que Kusaka se desfez em areia.
Esse modelo já deixa bem evidente como os bons conhecedores dos Showa Riders mais antigos terão de tudo paras se deliciarem com certos pontos desta produção, que ainda reconstrói os henshins com uma profundidade comovente. A manutenção dessa mesma profundidade diante das investidas tecnológicas que o tokusatsu conquistou com o tempo mostrou-se sólida, e felizmente foi correspondida.
Ao recriarem os henshins dos Riders antigos, as conquistas tecnológicas atuais foram tão pacientes quanto
conscientes, pois reconheceram a magnitude que tais momentos tinham em seus seriados de origem
É recompensador vermos como nossos atuais efeitos especiais_ sempre atrelados à velocidade_ foram pacientes para com as alterações lentas e graduais que dão o tom da emoção na transformação do Kamen Rider X, por exemplo. Keisuke Jin optou pelo grito de "Set Up!" da fase inicial do seriado de 1974 (em detrimento do posterior "Dai Henshin!"), num processo de mutação que incrivelmente ainda recuperou parte do aspecto meio-psicodélico do plano de fundo original_ ainda que em outros termos visuais. Takeshi Hongo pôde, enfim, deixar explícitos certos detalhes de sua composição de cyborg no segundo henshin que executou, enquanto que Ryo Murasame foi um pouco prejudicado pela perspectiva de filmagem, mas fez brotar novamente uma garra idêntica a que demonstrou há 30 anos atrás. Segue sendo meu favorito.
Além da perspectiva de filmagem, que citei agora, o trabalho de iluminação em alguns momentos da película está entre os poucos pontos negativos que eu destacaria aqui_ e que talvez não influencie muito para quem ainda for assistir. Mesmo se somados à fotografia (suficiente, mas abaixo da do "Super Hero Taisen" de 2012), são meros itens técnicos que perdem importância quando comparados aos demais êxitos da produção.
Destes, a área destinada à ação é, talvez, a mais beneficiada, com muitas cenas de luta que, a meu ver, superam as do próprio seriado do Kamen Rider Gaim. O uso moderado de CGI contribui muito para isso, mas o reconhecimento da natureza de cada Kamen Rider, assim como das limitações de suas habilidades originais, vai além, pois adiciona respeito à fantasia de outros tempos. Nesses casos, a tecnologia entra somente como potencializadora, e praticamente se ausenta nas batalhas de Riders como Shin e Amazon_ ambos mutantes "puros", ou seja, sem qualquer traço cibernético que dê vazão à raios, fogo ou qualquer outro efeito poderoso obrigatório nos tokus de nosso século.
O inédito TokkyuOh KyoryuJin foi a personificação
definitiva que marcou a rasa participação dos dois
mais recentes Super Sentais na guerra dos Riders
Na onda dessa ação, entraram também os dois mais recentes Super Sentais. Kyoryuger foi representado apenas por Daigo (o Kyoryu Red), enquanto que Tokkyuger surgiu com seus cinco membros principais. General Schwarz, acostumado ao reino de escuridão da Shadow Line, não poderia deixar de se afeiçoar a um mundo igualmente obscuro como o de Badan, mas a verdade é que a ponta destinada a esse gênero foi bem modesta, como já era de se esperar. Porém, o modesto aqui não rima com irrisório. A participação desses Sentais foi suficiente para gerar certos itens curiosos como o gattai do TokkyuOh KyoryuJin. Esse inédito robô gigante fez Daigo entrar no clima de seus sucessores com muita descontração. Em outra grande surpresa da fita, ele acaba pilotando uma versão trem de seu Gabutyra, numa deixa perfeita para envolver também o Kamen Rider Den-O com sua temática semelhante.
Para fechar com chave de ouro, a versão do filme com o final em que os Heisei Riders saem como vitoriosos reserva um belíssimo presente para os espectadores que, assim como eu, optarem por assisti-la. Trata-se de uma mensagem comovente que, apesar de já ter sido usada no passado em produções como "Gaoranger Vs Super Sentai", de 2001, aparece com força suficiente para que nos sintamos satisfeitos, e envoltos numa atmosfera muito positiva após quase duas horas.
O belo momento do final não poderia deixar de ser precedido por mais uma homenagem ao especial do ZX, com a execução do Rider Syndrome_ poder que os guerreiros derramaram sobre Shu, e que imita a mesma coreografia utilizada no Rider Shock, a união de forças dos dez Showa Riders, em 1984, conforme podemos comparar pela imagem ao lado. Nos créditos, uma nova versão da música "Dragon Road" (tema de ZX por Akira Kushida), repaginada eletronicamente, encerra as lembranças daquela que foi a primeira grande união de Kamen Riders_ refletida nos dias de hoje, com este filme, e ainda demonstrando ânsias de se repetir por muitas outras vezes mais no futuro.